A imprensa falada e escrita ainda é o principal elo entre o fato e as massas. Tempos houve em que os eventos importantes, bem como as ordens e decretos das cabeças dominantes chegavam ao povo através de panfletos afixados em postes e árvores. Também eram apregoados em praça pública, porque a maioria da população não sabia ler. Se na época dissessem que tal forma de informação seria superada, nem eu acreditaria.
Hoje, o fato tem mil e um veículos para levá-lo ao povo, desde o primitivo boca-a-boca à moderníssima Internet. Por muitos anos o jornal impresso imperou absoluto, fosse em publicações locais ou as de grandes tiragens e rápida circulação. Atrás deles vieram as revistas, mais lentas porque mais elaboradas. A primeira revista brasileira tinha um nome pouco chamativo: “As Variedades ou Ensaios de Literatura”, lançada em Salvador, em 1812.
A primeira revista feminina foi o Espelho de Diamantino, tratando de assuntos variados como arte, política e moda. As revistas com fotos, chamadas ilustrativas, surgiram no século XX. Em 1928 o jornalista Assis Chateaubriand lança “O Cruzeiro”, com destaques semanais, a primeira revista a usar imagens para enriquecer grandes reportagens.
Em 1940 surge a revista Diretrizes, a primeira voltada para a política, fazendo oposição ao ditador Getúlio Vargas. Em suas páginas brilharam Jorge Amado, Álvaro Moreyra, Joel Silveira e nosso Rubem Braga. Em 1952 chega às bancas a revista “Manchete”, da Editora Bloch, dando mais destaque à fotografia. Em 1966, Victor Civita cria a Realidade, que se tornaria um marco na história das revistas nacionais.
O resto é história, ou está nas bancas, e cada um lê a revista que mais se encaixa em seu gosto, suas opiniões e seu bolso. Ou são lidas democraticamente, rodando de mão em mão. Como os jornais, andam também ameaçadas pelo avanço da Internet, polvo voraz com o qual já andam de namoro, embora tímido. O tempo decidirá.
No auge da popularidade da revista O Cruzeiro, quando quem era quem desfilava em suas páginas, nossa moeda circulante era também o cruzeiro, que com mais ou menos turbulências, viveu de 1942 a 1967; de 1970 a 1986; de 1990 a 1993. Um dia saí contando para colegas, amigos e dissidentes que uma poesia de minha autoria havia sido publicada em O Cruzeiro.
Ninguém acreditou, claro, e quando exigiam que eu exibisse a prova do fato, eu mostrava uma cédula de Cr$ 1,00, onde eu havia escrito minha primeira façanha literária. Estava ou não estava no Cruzeiro? Nome da poesia, “Um dia, talvez…” – mas tanto a famosa revista como a desditosa moeda duraram menos que meus sonhos.

