Até dezembro de 2016, imaginava-se que Paulo Hartung poderia ser um nome em condições até de compor chapa presidencial em 2018, considerando o espaço conquistado na imprensa nacional ao vender a ideia de que sua política de austeridade seria um exemplo para o País. A ideia da classe política era de que mesmo com o ex-governador Renato Casagrande (PSB) propondo uma polarização, o governador havia conseguido construir uma imagem que se sobrepunha a toda a classe política capixaba.
Hartung entrou em 2017 em condições de dar as cartas sobre o processo eleitoral do próximo ano, pensava que poderia mexer as peças como quisesse aliás, como sempre fez. Mas a primeira movimentação já foi fracassada ao tentar migrar para o PSDB e trazer o senador Ricardo Ferraço (PSDB) para a disputa ao governo, abrindo caminho para que ele seguisse para o Senado.
Em fevereiro, porém, tudo desmoronou de vez. A crise na segurança pública jogou por terra a imagem do governador na mídia nacional e a partir daí a situação política de Hartung só piorou. Ele passou a enfrentar uma série de problemas políticos, lidando com eles com muito menos sutileza do que em seus mandatos anteriores.
O problema é que agora Hartung não dispunha mais o discurso que o manteve unanime durante oito anos no governo do Estado. Não há mais um inimigo invisível chamado crime organizado a ser combatido. Dispensou os seguranças particulares, não há mais manchetes com denúncias contra desafetos políticos, não há mais necessidade de faxina ética.
Mas aos poucos o governador vem encontrando um novo discurso para adotar, vem tentando emplacar uma tal perseguição política, uma tentativa de utilização das entidades, instituições e empresas como trampolim político de adversários. A impressão da classe política é de que só há um jeito de se fazer as coisas no Estado, o jeito de Hartung, se não for assim, é conspiração para ganhar espaço, luta desenfreada pelo poder, ou tentativa de desmoralizar um governo que está dando certo.
A repetição desse mantra impede o debate sobre as necessidades do Estado, afinal cobrar qualquer tipo de mudança é tentar sujar a imagem do governo, é politizar a coisa, é insurgir-se contra o governo que é exemplo para o Brasil. E quando acabam os argumentos, o texto adotado também está na manga do paletó: “é só olhar para o lado, vejam o exemplo do Rio de Janeiro…”. Discurso vencido, esgotado e inócuo, mas para engambelar a classe política e ser repetido pela imprensa amiga, serve.

