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Um novo movimento

 

O movimento sindical surgiu no Brasil em uma realidade bem diferente da atual. Ainda estávamos em um estado de exceção, plena ditadura militar. Não havia liberdade, não havia garantia de direitos da população e o governo era a imagem do capitalismo na figura dos militares. O movimento sindical, ao lado de outros, conseguiu colocar a população nas ruas e foi importante também para o surgimento de um Estado livre, democrático e de direito. 
 
Hoje os desafios são outros. A violência é galopante, a saúde e educação precárias. O Estado não dá conta de atender às demandas da sociedade porque não há controle da base da pirâmide. E o movimento sindical continua com um discurso que serviu naquele momento, mas que hoje não atende mais. 
 
A política mudou, a sociedade mudou e o sindicato, não. Por isso, é preciso um olhar para dentro. Rediscutir o papel do movimento na sociedade atual. Descobrir quais são as demandas e um novo viés que mobilize novamente. A sociedade espera por isso. Não encontra eco nessa representatividade das entidades. 
 
A coluna aponta alguns caminhos. Por exemplo, o sindicato dos médicos. Precisa de atuação mais contundente. Precisa averiguar em loco as condições de trabalho. Se os direitos e deveres da categoria estão sendo cumpridos e não olhar apenas a necessidade da categoria, mas do setor que está atendendo. Ou seja, não adianta só falar da falta de estrutura nos hospitais públicos. É preciso ver como se dão as coisas nas cooperativas, nos filantrópicos, nos planos de saúde, nos hospitais particulares. 
 
É responsabilidade também da entidade de representação de classe o atendimento de qualidade em uma área de tamanha necessidade. As centrais também têm de ficar de olho e é preciso envolver também os conselhos. 
 
Na indústria, o setor público tem grande participação. O sindicato tem de lutar pela garantia das cadeiras dos trabalhadores nas audiências públicas, para manter as conquistas dos trabalhadores e buscar novas. Fugindo das greves, novas formas de atuação podem ser mais eficazes e mais amplas, trazendo respostas à maior arma de luta da classe trabalhadora. 
 
Não adianta o topo da pirâmide trazer as garantias, se a base não vai corresponder adequadamente. Algumas mudanças estão acontecendo, mas é preciso que haja uma nova forma de pensar a participação do movimento até para que as mudanças sejam vistas como conquistas e não como pacote de bondade. 

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