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Um passo atrás

Com a proximidade do período eleitoral, volta à baila uma discussão colocada nos meios políticos desde 2008, quando Barack Obama venceu as eleições nos Estados Unidos: a influência dos meios eletrônicos, sobretudo a internet, nas campanhas eleitorais. 
 
Esta semana, quem trouxe o assunto para a mesa de discussão foi o colunista de O Globo, Ricardo Noblat, que é incisivo sobre o assunto. Não, afirma, não será desta vez que teremos no Brasil uma eleição.com. “Os políticos estão longe de saber explorar a maioria dos recursos que a internet oferece. Se muito, o ‘santinho’ impresso distribuído entre os eleitores cedeu lugar ao ‘santinho’ eletrônico”, afirma.
 
Partindo da análise que Noblat faz da dificuldade da classe política nacional em lidar com o avanço tecnológico, é possível perceber que no Espírito Santo a situação é bem parecida. Os dois candidatos ao governo do Estado, por exemplo, são neófitos nos meios. Renato Casagrande tem Facebook e Twitter corporativos, nitidamente deixados aos cuidados da assessoria.
 
Agora experimenta o Instagram, em que compartilha momentos do seu dia a dia no governo do Estado. É simpático, mas bem distante do que se espera para um candidato inteirado com as redes sociais. Ainda assim, é bem melhor que seu adversário, Paulo Hartung (PMDB). A interação do ex-governador com a internet se resume a um blog, também alimentando pela assessoria. O Instagram é de “admiradores”, nada mais antipático para o eleitorado. 
 
O que deve valer mesmo nesta eleição é a guerra de informação pelos cabos eleitorais virtuais.  A disseminação de informações pejorativas e a contrainformação devem ser usadas para tentar minar a popularidade dos candidatos. A minirreforma aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional e, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, aperta o cerco a esse tipo de atividade, mas será que vai inibir a prática?
 
O que se vê de discussões na campanha presidencial pelas redes sociais até aqui mostra que não. Neste sentido, a utilização da internet nas eleições ainda não foi bem compreendida pela classe política e, mais uma vez, o que vai mesmo pesar na eleição será o programa eleitoral na televisão e a campanha de rua, que ao longo dos anos vem minguando, mas ainda mostra sua força, sobretudo, no interior. 
 
Até porque a classe política se mostra sempre um passo atrás do avanço tecnológico. Usar as redes sociais só para divulgar atividades e teses políticas, sem entrar no debate e criar identidade com os usuários das ferramentas da internet, não vai conquistar o eleitor virtual. Falta muito para que os políticos aprendam a lidar com a interação e o cenário político e social que esse universo apresenta como desafio. 

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