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Um rio de concreto

Na minha rota diária casa-trabalho-lar, doce lar. Navego por um rio nervoso que atende pelo nome de I-95. Parece nome de robô em filme de ficção científica, mas tudo aqui funciona em números: Rua 236, casa 12567, Avenida  42, Highhway 826… Seriam apenas 15 minutos, ida ou volta, que o caminho é sempre igual, apesar da mão pra lá e  pra cá. Mas tal como os rios naturais, minha agitada I-95 é muito sensível às mudanças de tempo, horários, datas, etc.
 
Os dela, claro. O tapete de concreto e placas coloridas não se sensibiliza com as prioridades de seus navegadores. Pois esses 15 minutos se esticam de forma previsível ou imprevisível, e podem virar horas, dependendo de uma longa lista de fatores: se chove ou faz sol, se é hora do rush ou as quietas horas da madrugada, segunda-feira ou domingo, férias escolares ou feriados bancários, e o que mais houver, como acidentes e obras.
 
Motoristas barbeiros, apressadinhos e os curiosos que diminuem a marcha para ver o que está acontecendo do outro lado alteram consideravelmente o humor da I-95, porque trancam o trânsito sem motivo aparente, ou mesmo sem motivo nenhum. É o caso dos celulóficos, que não respiram sem um celular no ouvido, que juntam o útil ao desagradável e não perdem tempo no trânsito.
 
Ou o útil ao perigoso, com o advento dos celulares. O Conselho Nacional de Segurança dos States, em seu relatório anual, informa que 26% dos ferimentos e mortes ocorridos nas rodovias do país são causados pelo uso desses aparelhinhos. Desse total, apenas 5% ocorre porque o motorista está digitando mensagens; a maioria dos provocadores de acidentes estavam  era mesmo falando no celular.
 
Donde concluíram que é mais perigoso falar do que enviar mensagens, talvez porque as mensagens são mais rápidas. Também o chamado bluetooth, em que o motorista fala sem precisar ter o telefone na mão, concorre para o aumento dos acidentes de tráfico. Alguns estados estão proibindo o uso do celular no trânsito… pode ser!
 
 
O hábito já está muito arraigado na vida cotidiana. Com muitos negócios sendo resolvidos antes mesmo do pessoal chegar na empresa, muita patrão já paga o funcionário que está na estrada, uma vez que ele já está trabalhando.
 
 
Outra tarefa comum que é feita aproveitando essa travessia de um ponto a outro da vida é a maquiagem. Por enquanto, só as mulheres, mas o futuro está sempre nos surpreendendo.  As motoristas dirigem passando rímel nos olhos, batom nos lábios, esmalte nas unhas.  Fico imaginando uma freada brusca, iria o rímel para a boca ou o batom para os olhos?
 
Também se pode observar outros atos de embelezamento apressado, ou atrasado, como calçar meias, fazer escova no cabelo, trocar de roupa… Mas nada nos surpreende, e vamos em frente, junto com os celulóficos, as maquiadas, os curiosos, os apressados, os barbeiros, e muitos outros tipos exóticos navegando nesse rio agitado, rumo a mais um dia em nossas vidas.

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