“A Petrobras está se apequenando”, disse em Porto Alegre, dias atrás, durante um ato público pela democracia, o geólogo Guilherme Estrella, líder da equipe que em 2006 descobriu petróleo na camada pré-sal do litoral do Sudeste do Brasil.
Para Estrella, está em andamento um plano para privatizar a maior empresa do Brasil, retomando a orientação “entreguista” do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Criada em 1953, a Petrobras é mais do que o eixo central do abastecimento de petróleo no país – é também a maior alavanca nacional de investimentos e geração de empregos, como se viu na exploração da bacia de Campos a partir dos anos 1970 e, mais recentemente, na retomada da indústria naval para produção de petróleo no pré-sal.
As concessões feitas recentemente pelo governo Temer às petroleiras globais na exploração do pré-sal retiram da Petrobras certas prerrogativas inerentes às empresas estatais de países zelosos por sua autonomia energética e independência política.
Além de ser colocada fora do eixo central dos investimentos estatais, a venda parcial ou total de ativos da Petrobras (gasodutos, refinarias, fábricas de fertilizantes e participação na distribuidora BR) dificulta o pagamento e/ou a remegociação de dívidas empilhadas irresponsavelmente durante a gestão petista, que embarcou na suposição de que o pré-sal era o passaporte para o desenvolvimento nacional no século 21 (ilusão semelhante acometeu o México e o Equador em décadas passadas).
Com uma produção diária de 2,5 milhões de barris, o Brasil é autossuficiente em petróleo e potencial exportador dessa matéria-prima ou de derivados. O pré-sal deveria ser um dos cacifes desse jogo em favor da maioria dos brasileiros.
Facilitar o acesso de petroleiras estrangeiras às jazidas do pré-sal, ainda mais com enormes franquias tributárias como aprovou recentemente o Senado, equivale a dar o famoso tiro no pé.
Descuido?
Sacanagem.
O experiente Estrella tem certeza de que as forças que se apossaram do poder por meio do impeachment da presidente Dilma Rousseff cederam vergonhosamente a pressões internacionais exercidas no Congresso Nacional por representantes de empresas petrolíferas estrangeiras, além de bancos sensíveis a investidores internacionais.
“Desculpe-me a expressão”, disse Estrella, “mas o Brasil está sendo transformado numa verdadeira casa de tolerância para capitais estrangeiros”. O principal patrocinador da prostituição seriam os Estados Unidos, que chegaram a movimentar uma de suas frotas navais para o Atlântico Sul às vésperas do golpe parlamentar antiDilma.
Citando Gilberto Bercovici, professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo, Estrella disse que “estamos lidando com crimes de lesa-pátria” que merecem ser julgados pelo governo nacional eleito em outubro de 2018.
Resta saber que eleições teremos.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“A elite empresarial brasileira (…) não entende que está sendo roubada dela própria a oportunidade de ser sócia do desenvolvimento de um grande país. Prefere ser assecla subalterna de um projeto colonial falido no mundo inteiro”. Fernando Brito, no site Tijolaço

