O Prêmio Inoves 2012, recebido pelo Batalhão de Policia Militar Ambiental (BPMA), na categoria “Uso eficiente dos recursos públicos”, coroou a soma de esforços de várias pessoas, desde o policial de menor patente até seu coronel-comandante, o topo da hierarquia nas forças estaduais.
É resultado também de uma semente plantada há pelo menos duas décadas no conceito de polícia no Estado e, como toda boa ideia, tem força explosiva atômica e impossível de ser contida por mais que tenha inimigos. Salvo melhor juízo, foi Mao Tse Tung quem disse que uma imagem vale mais que mil palavras e uma ideia vale mais que mil imagens.
Conheci Roberto Martins ainda sargento, quando o então capitão Júlio Cezar criou, na companhia da PM de Guaçuí, na região do Caparaó, o conceito da polícia interativa, com forte conteúdo de polícia comunitária. A ideia se espalhou na velocidade de um supersônico e o oficial ganhou notoriedade internacional.
Quando José Ignácio Ferreira assumiu o governo, o capitão apresentou-lhe a ideia de uma “revolução” na segurança pública estadual, através de conceitos científicos desenvolvidos na academia e colocados em teste na cidade do Caparaó. Agora, sofreria ajustes e seria aplicada na Região Metropolitana.
Até hoje as pessoas sentem saudades do Pro-Pas, o programa de segurança desenvolvido por jovens oficiais da PM do Espírito Santo, com ampla participação da sociedade civil. Foi, em síntese, o que se salvou do naufrágio do governo de José Ignácio, mas o inquilino seguinte do Palácio Anchieta, vaidoso, orgulhoso e movido, talvez, pelo pior dos sentimentos humanos, a vingança, em vez de aperfeiçoar o programa, o bombardeou e tentou desmoralizá-lo.
Deu no que deu: fracasso total da segurança pública capixaba ao longo de oito anos, porque politizaram o que deveria ser comunitarizado. Mas o povo não é bobo. Quem viveu os dois momentos ainda se recorda dos corredores de segurança, que davam à população a sensação de estar guarnecida e colocava a polícia nos locais de ocorrências em um minuto.
Em vez de servir, desserviram à população, ao mesmo tempo em que empreenderam uma caça vergonhosa aos profissionais que ousaram mudar as estruturas. Mas as sementes ficaram plantadas. A Polícia Ambiental é um bom exemplo disso, porque se projetou graças ao amor e dedicação de seus integrantes.
Falo do Martins porque ele hoje é capitão e o profissional que mais se esforça, do ponto de vista estratégico, para dar visibilidade àquilo que, pontualmente, os agentes da PM Ambiental realizam, juntando as pequenas ações num conjunto e transformando-as numa visão do todo por um método muito simples, que deveria ser estudado pelos profissionais e alunos de comunicação social das academias.
Martins não é jornalista e seus textos não são belos e, às vezes, trazem alguns vícios estruturais, mas contêm o que é essencial: a informação. Ele mesmo criou um pequeno questionário que todos os agentes da PMA carregam consigo, juntamente com uma câmara fotográfica digital de baixo custo. Recebe as informações dos questionários com as fotos, trata os dados em forma de texto simples e objetivo, faz o link com a lei e distribui para sua rede de contatos que não é pequena.
O resultado disso é a enorme exposição positiva do trabalho da Polícia Militar Ambiental, através de blogs, sites regionais e da própria grande mídia estadual. Sem acrescentar custos ao poder público, o capitão Martins fez o que muitos de nós, profissionais de comunicação, talvez não conseguíssemos, apesar dos “elaborados planos de comunicação”, simplesmente porque usou a simplicidade.
Resta dizer que o comandante da PMA é o tenente coronel Andrey Carlos Rodrigues, que dedicou a premiação do Inoves a cada servidor público do BPMA e de toda a Polícia Militar, “pois vem coroar o grande esforço e a dedicação à causa ambiental, durante toda a história da unidade e reconhecida neste ano de 2012”. A propósito: Andrey sobreviveu à caça às bruxas. Ele tinha função estratégica no grupo do Pro-Pas, assim como Martins o tinha, no Caparaó, de onde nunca saiu, mesmo sendo praça à época.
O Inoves foi concedido ao Batalhão de Polícia Militar Ambiental da PMES – BPMA com o projeto “Policiamento Ambiental Eficiente”. A unidade alcançou a primeira colocação na categoria “Uso Eficiente dos Recursos Públicos”.
O Inoves é um programa do Governo do Espírito Santo que estimula o desenvolvimento de uma cultura de inovação e empreendedorismo no contexto do serviço público. Ao mesmo tempo, contribui para a valorização do servidor por meio da disseminação de conceitos modernos de gestão e do reconhecimento de práticas inovadoras, destacando e premiando os trabalhos inovadores, desenvolvidos por equipes de profissionais do serviço público capixaba, capazes de modernizar a gestão, melhorar a vida do cidadão e transformar a realidade.
A premiação consiste, além do Troféu Inoves, de um certificado de reconhecimento e premiação, um kit de equipamentos de informática no valor de R$ 15 mil composto de desktops, notebooks e tablets.
As iniciativas premiadas também serão contempladas com outdoor contendo foto da equipe, situado em local próximo à unidade onde a coordenação do trabalho atua, e matéria sobre o projeto, publicada na Revista Inoves, Ciclo 2012.
Neste ciclo, foram inscritos 234 projetos um recorde em relação às edições anteriores, sendo 143 chegando a final e oito foram vencedores dentro de suas categorias. No brilho úmido dos olhos da equipe de policiais ambientais na entrega do prêmio, era visível a emoção pela conquista inédita.
Perguntem ao Martins, capitão, porque ele faz muito mais do que aquilo para o que é pago e ele responderá: “Eu amo ser polícia, eu amo a Polícia Ambiental”. Precisa dizer mais alguma coisa? O reconhecimento vem da comunidade a que ele serve.
José Caldas da Costa é jornalista, escritor, licenciado em Geografia.Escreve, como colaborador neste espaço, semanalmente. Contatos: [email protected]