Um dos pontos que causou mais controvérsia durante a semana, com a entrega de uma carta de um grupo de 19 deputados ao colega de plenário Amaro Neto (SD), foi a crítica à representatividade do Estado no Congresso Nacional. O comentário parece não ter agrado os deputados federais e, principalmente, os senadores que vão disputar a reeleição no próximo ano.
Embora os deputados afirmem que, apesar dos esforços do governador Paulo Hartung e da bancada capixaba, o Espírito Santo não recebe o tratamento que merece em nível nacional, o movimento em torno de Amaro Neto seria uma forma de criar um caminho para que o Parlamento Estadual pudesse ter voz em Brasília na hora de buscar espaço para o Estado.
Esse discurso de o Estado dá ao Brasil muito mais do que o Brasil dá ao Estado já esteve nas falas do senador Ricardo Ferraço (PSDB) no passado e do próprio governador Paulo Hartung (PMDB). Não convence tanto. Mas hoje, os senadores reagem à afirmação dizendo que o movimento dos deputados é intempestivo e que há visibilidade da bancada sim. Mas a questão não é essa.
Os deputados estaduais fazem um movimento para ter um protagonismo no processo eleitoral e circular o Estado, defendendo suas cadeiras na Assembleia, no duro jogo político do próximo ano. Paralelamente, tentam emplacar um nome novo para puxar esse palanque, pegando uma carona no desgaste do Congresso Nacional.
Os senadores capixabas estão sendo apedrejados nas redes sociais e os deputados estaduais querem espaço, buscando se distanciar de quem tem vínculo em Brasília, apresentando alternativas para o que está colocado hoje, tentando atrair a população para o debate.
Neste mesmo condão vão os deputados federais, que estariam com o filme queimado, segundo alguns deputados estaduais. Não podendo nem mesmo sair à rua, até que ponto há um interesse na Assembleia de deixar o desgaste para os federais, não se sabe, mas é verdade que o clima na bancada não é muito favorável para pedir votos.

