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Unanimidade?

 

Apesar de relativamente ainda soberano na política capixaba, o governador Paulo Hartung (PMDB) não terá mais a facilidade dos seus dois períodos anteriores de governo, quando dispôs totalmente da Assembleia Legislativa (entre outros poderes), permitindo-lhe que regesse a sociedade a seu bel-prazer. Mas, naquelas oportunidades, PH  vestia o manto sagrado do soberano, por consequência, dono da verdade e do arbitro do bem e do mal. Agora tende a não ser mais assim,  apesar da sua insistência  em conservar essa imagem. Ao se conhecer falcatruas de suas gestões anteriores, ele virou político comum, sujeito a  chuvas e trovoadas.  A doce Assembleia de outrora, corre o risco de não ser mais tão doce como antes. Despontam alguns deputados, dando a entender que não serão, de todo, regidos por ele. É precário em matéria de números, mas só a possibilidade de vir a existir, ganha certa importância, já que três ou quatro deputados, juntos, param a Assembleia.

 

Mas não deixa de ser muito pouco numericamente, como disse há pouco, numa Assembleia que tem 30 deputados. Não abala governo, mas o incomoda, e terá valor se quebrar a unanimidade da Casa, que sempre existiu por ocasião dos governos de PH.

 

Essa situação de unanimidade atravessou também o período do governo Renato Casagrande (PSB), com o mesmo tecido partidário, do Partido dos Trabalhadores.  Pois foi esse mesmo PT, que nos governos anteriores de Paulo Hartung não só colocou a Assembleia sob o seu julgo, como tirou das ruas o movimento social e sindical, para que não se escutassem os clamores que infernizaram e deterioraram governos anteriores.

 

Essa parceria do PT capixaba com Hartung desfigurou de tal forma o PT, que ele deixou de lado as suas bandeiras de lutas, inclusive do campo ideológico. A ponto de um de seus deputados, Rodrigo Coelho, conduzir  a reeleição à presidência da Assembleia do mais longevo e aprontador direitista em ação no Espírito Santo, deputado Theodorico Ferraço (DEM).

 

É o prelúdio de uma ação anti-esquerda no Espírito Santo, porque o PT, com Paulo Hartung, fortaleceu as elites capixabas, e agora, entregando-se ao Ferração, energiza o homem que mantém a direita capixaba no topo da cadeia política.   

 

Nunca se esquecendo da proeza dele em ter liquidado com a esquerda de Cachoeiro de Itapemirim, quando inclusive ela se encontrava no auge, reconhecida como a melhor esquerda que havia no Espírito Santo.

 

Com essa entrega ao Ferração que, com muito menos poderes, peitou  Judiciário e Ministério Público, o demista vai navegar em  mares  nunca antes navegado pela direita capixaba.

   

Enquanto o PSOL não chega como partido de esquerda e perde-se ainda em  disputas internas, e o PSB se mantém socialista só no nome, a questão ideológica no Espírito Santo, que andava a reboque do PT, desapareceu quando o PT virou instrumento político de PH e passa agora, com Ferração,  a ser também  parceiro da direita capixaba.

 

Há mais de 40 anos, Ferração vem tombando gente boa pelo caminho. Diferente de PH, que para fazer o que faz, precisa da caneta do poder na mão, Ferração, ao contrário, não é perigoso pelo o que fez, mas o que poderá fazer. Ele é um personagem inteiramente solitário e habituado a modificar as relações políticas.  

 

PENSAMENTO:

“Condene o pecado e perdoa o pecador”. Ikónnikov

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