Está acontecendo uma greve muito estranha no País. Ao mesmo tempo em que pedem melhorias para a categoria, os caminhoneiros paralisaram as atividades e vêm fazendo filas quilométricas pelas estradas pedindo a saída da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas se tirarem a presidente, vão negociar com quem? Ou é uma coisa ou é outra.
A greve dos caminhoneiros é nitidamente uma ferramenta política. Muitos não são donos dos seus caminhões e estão sendo usados pelos proprietários para pressionar o governo. É que adquirindo uma frota de veículos, agora muitos patrões estão enrolados para pagar e com a crise, não têm faturado tanto quanto imaginavam.
Mas este não é o caminho certo. A greve é um instrumento que o trabalhador disponibiliza para cobrar melhorias para seu setor, mas não é dessa forma. A greve é o último recurso, quando se esgotam todas as possibilidades de diálogo e a pauta deve ser bem clara, ser posta à mesa e discutida com as partes. Greve para derrubar presidente, é coisa inédita e não tem nada a ver com debate sindical.
Neste sentido, as centrais não devem se sentir constrangidas em se posicionarem contrárias a essa greve. E devem se posicionar, na defesa da depuração do debate. Essa greve não se enquadra nos parâmetros estabelecidos pela classe trabalhadora. É uma greve política e não de categoria.
Além disso, é preciso que o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre nesse jogo. É preciso fiscalizar quem e como comprou esses caminhões e aperte o certo. Na hora de pegar empréstimo a perder de vista, o governo é bom, quando o empresário não consegue pagar, o governo é ruim. Aí se movimenta os empregados para parar os caminhões e a produção. Aí não vale!
Greve de patrão, não é greve, é locaute!

