É comum ouvirmos pelas ruas a confusão que o cidadão comum faz em relação às lideranças políticas. Cobra-se do Estado o que é responsabilidade da prefeitura, do prefeito o que de responsabilidade do governo. Acusa-se um deputado federal de algo que é de competência da Assembleia Legislativa e de um senador o que é competência da Câmara dos Deputados.
A falta de conhecimento sobre as funções de cada um pode ajudar a complicar ainda mais a situação dos candidatos na eleição do próximo ano. Corre o risco de quem não estiver devendo nada, pagar por quem está devendo. Além disso, há muita coisa que não é o que parece. O fato de uma liderança ter recebido recursos de uma empresa investigada não transforma esse político em corrupto.
É claro que qualquer empresa que ponha dinheiro em uma campanha terá a intenção de ter o apoio do político em seus projetos futuros. Mas isso também não é crime, é da política. Infelizmente, quem acha que o único problema da política são os políticos e não as grandes corporações que criam suas bancadas para tirar vantagens, está muito enganado.
O problema é que uma vez citado, fica difícil convencer o eleitor de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mesmo que não tenham usado o dinheiro para enriquecimento, mas para aplicar nas campanhas eleitorais, não deixa de ganhar o rótulo da Lava Jato. A lista de lideranças citadas é grande e pode atrapalhar os planos de muita gente para 2018.
Entre os nomes cotados para disputa do próximo ano e que apareceram em listas como recebedores de caixa dois ou articuladores para a doação estão o governador Paulo Hartung (PMDB); o vice-governador César Colnago (PSDB); o ex-governador Renato Casagrande (PSB); o senador Ricardo Ferraço; o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e os ex-prefeitos de Vitória, João Coser (PT) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB).
Isso coloca no olho do furacão grande parte das apostas do próximo ano. E a coisa não deve ficar por aí, afinal, até agora só se conhece as denúncias da Odebrecht e da JBS, e tem muito mais empresas que apostam em políticos no Brasil e no Estado. No caso de Hartung, Casagrande e Ricardo Ferraço, eles podem vir a se tornar réus em ações na Justiça federal. Mas enquanto não transita em julgado, todos estão no jogo político do próximo ano. A dúvida é se o eleitor vai querer jogar junto.

