Ao cancelar a reunião da CPI dos Empenhos em que apresentaria um relatório em separado incriminando o ex-governador Renato Casagrande (PSB), o líder do governo na Assembleia e presidente da comissão, Gildevan Fernandes (PMDB), deu pistas de que a manobra não é mais segura na Assembleia. Ele pediu que o anúncio fosse registrado em ata para evitar contestações posteriores.
Com isso, o grupo governista ganhará um tempo até a próxima quarta-feira (13), quando acontecerá uma reunião ordinária do colegiado. Ganhar tempo para tentar avaliar uma nova estratégia, porque as que estão sendo postas até aqui fazem água.
Uma coisa seria Euclério Sampaio (PDT), que mesmo sendo governista, não tem uma ligação tão umbilical com o governador Paulo Hartung, incriminar Casagrande. Outra coisa é um relatório de Gildevan, aprovado por ele mesmo e governistas de carteirinha: Erick Musso, Almir Vieira e Dary Pagung.
Além disso, insistir na inclusão do nome de Casagrande no relatório, depois do caso encerrado no Tribunal de Contas, pode ser um risco. Depois do placar apertado pela derrubada da sessão que aprovou o relatório de Euclério Sampaio, os governistas devem repensar se vai mesmo valer a pena levar à diante essa história de forçar a rejeição de contas de Casagrande na Assembleia para tirá-lo do jogo político.
Até porque, mesmo que consiga a rejeição de contas na Assembleia, dificilmente a Justiça Eleitoral negaria uma candidatura de Casagrande no futuro por causa da decisão da Assembleia, ainda mais com a aprovação do Tribunal de Contas.
O que o governador deve repensar é que suas contas de 2015, aprovadas com ressalva pela Corte de Contas, têm problemas muito semelhantes aos apontados nos balanços do socialista. De tanto brincar com fogo, Hartung pode sair chamuscado.
Fragmentos
1 – O deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) foi eleito presidente da comissão que vai analisar a MP 732/2016, que limita o reajuste do foro e da taxa de ocupação marinha em no máximo 10,54%.
2 – É mais uma ferramenta importante na batalha do deputado federal pela paternidade da luta contra a taxa de marinha, com o prefeito Luciano Rezende (PPS). Na verdade, a briga de Lelo é mais antiga, mas o prefeito conta com a máquina.
3 – O vereador Serjão Magalhães (PTB) segue firme em seu propósito de disputar a eleição para a prefeitura de Vitória. Nessa segunda (4), ele se reuniu com pré-candidatos à Câmara pelo partido.

