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Vai ter jogo

Está cada vez mais claro que o governador Paulo Hartung (PMDB) não conseguirá tirar do seu caminho o ex-governador Renato Casagrande (PSB). O socialista está em franca evolução no sentido de assumir a oposição declarada ao peemedebista, dando um passo adiante à estratégia que vinha adotando até então, que era fazer a defesa do seu governo nas redes sociais ante os ataques de Hartung e equipe.
 
Essa passagem de conduta política criará um polo de alinhamento para o fim específico de confrontar com Hartung. O que faz parte da rotina nas democracias, mas que se tornou ausente no cenário político do Espírito Santo nos últimos 12 anos.
 
O confronto deu lugar a um projeto relativamente longevo de poder  que ganhou o nome de unanimidade.  Com propósito de ir até  2025, o arranjo criado por Hartung coibia o confronto entre adversários e definia as eleições dentro de um gabinete. O que não deixou de  ocorrer na própria eleição de Renato Casagrande, em 2010, que também se aproveitou do conforto do arranjo para se eleger “sem adversários”. A unanimidade foi desarmada justamente por Hartung, que “quebraria” o acordo para disputar a eleição com Casagrande.
 
Até quando durou, esse arranjo impôs à classe política submissão às regras. Hartung se valia de instrumentos de convencimentos que iam além do campo político, entre os quais estiveram presentes setores do Judiciário e do Ministério Público.
 
Esse arranjo voltou a ganhar força com a volta de PH ao governo.  E teria tudo para ser retomado agora se Casagrande não assumisse essa atitude oposicionista. Essa iniciativa do socialista estabelece outra via de  disputa política no Estado. Ironicamente, ressuscitada pelo próprio Hartung, que quebrou a unanimidade.
 
A disputa polarizada entre duas lideranças tem tudo para ser posta em prática nas eleições municipais do próximo ano. Ouvi esses dias do presidente de uma Câmara de Vereadores da Grande Vitória, que trabalhou na última campanha de PH,  que se decepcionou com Hartung e agora pretende caminhar com Casagrande. Esse é um depoimento sintomático que enterra a volta da unanimidade.
 
A próxima eleição para o governo do Estado vai estar atrelada à disputa presidencial, invadindo os recintos eleitorais municipais. Isso significa que a eleição municipal do próximo ano vai servir de laboratório para a disputa de 2018. Casagrande estará nela disputando o seu espaço. Tudo indica, que com a vantagem da companhia do senador tucano Aécio Neves, que deve voltar a disputar a Presidência da República em 2018. 
 
Se Aécio se juntar a Casagrande, quem será a companhia de Paulo Hartung? A companhia de Hartung costuma ser ele próprio, à frente de agregados de diferentes matrizes partidárias.  Não quero dizer com isso  que ele fará uma disputa em desvantagem com Casagrande. Longe disso. Defendo a ideia que havendo um opositor a Hartung, causará  uma movimentação no pleito capaz de gerar surpresas.
 
Casagrande pode vir a ser essa surpresa? Sim, desde que não fique atrás da linha do inimigo.

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