O governador Paulo Hartung conta hoje com uma maioria na Assembleia, que já foi quase unânime no passado. Mas a situação na Casa é bem diferente. Sem atendimento de emendas e com seus campos congestionados, a lealdade dos deputados não é uma coisa tão cega quanto antes. Mas essa relação não é uma prioridade para o governador.
Muito pelo contrário. O governador trabalha em um ambiente controlado. Basta observar que os nomes que estão despontando para a disputa e ameaçam a cadeira dos atuais titulares, de uma forma ou de outra, estão ligados ao governo do Estado: Rodney Miranda (DEM), Vandinho Leite (PSDB) e Enio Bérgoli (PSDB) agora são as apostas de Hartung para um novo legislativo.
Isso resolve dois problemas. O primeiro é a substituição do material já desgastado que compõe hoje o plenário da Assembleia. Outro é evitar que nomes que estejam fora de seu controle ocupem esse espaço, tendo como exemplo a disputa de 2014, em que o deputado Sergio Majeski (PSDB) se elegeu dentro do grupo do governador e se tornou sua maior dor de cabeça desde então.
O governador vai disputar seu complicado quarto mandato, um perigo para qualquer liderança política. Por isso, ele precisa pensar na governabilidade, que vai ser mais importante do que nunca. Mas também sabe que o desgaste da atual Assembleia, de certa forma, prejudica sua atuação. É preciso oxigenar a Casa, o que não significa ter uma Assembleia independente, mas com um perfil renovado.
Evidentemente que isso não se aplica aos 30 deputados. Para o governador, é interessante manter algumas das atuais lideranças, como o presidente da Casa, Erick Musso (PSDB), e seu líder do governo, Rodrigo Coelho (PDT), a deputada Raquel Lessa (SD) e poucos mais. A barca de Hartung está bem restrita e muitos poucos deputados vão ter lugar garantido.

