O governador Paulo Hartung (PMDB) vem tentando emplacar a ideia de que há uma verdadeira batalha entre os partidos pela sua filiação. Mas será mesmo que é vantagem ter Paulo Hartung como um de seus quadros? No campo nacional a coisa não é bem assim, mas não é mesmo. Nos partidos pelos quais ele passou, não fez muitos amigos.
Mas vejamos o desempenho de Hartung em favor do PMDB no Estado. O partido tem a maior bancada da Assembleia, é verdade, com cinco deputados – Hercules Silveira, Luiza Toledo, Marcelo Santos, José Esmeraldo e Edson Magalhães, que chegou recentemente e já está de saída. Também elegeu Guerino Zanon, que virou secretário. Mas esses deputados não foram eleitos por causa de Hartung. Cada um deles tem um capital muito bem consolidado com as estratégias políticas que traçaram em suas carreiras.
O partido tem a senadora Rose de Freitas, que não seria eleita se dependesse exclusivamente do apoio do governador, que fez uma aliança informal com João Coser (PT), todo mundo sabe. Ricardo Ferraço foi eleito em 2010 ao Senado, mas era para ter sido governador, não foi por uma movimentação nacional, que foi aceita por Hartung.
Tem um deputado federal, Lelo Coimbra, mas já teve mais. Lelo, sim, foi um aliado eleito com o apoio de Hartung, mas isso não tem relação partidária e sim de fortalecimento de seu grupo. Nacionalmente, o vice-presidente Michel Temer teve que vir ao Estado para dar uma enquadrada no discurso do governador e colocá-lo a par do projeto do partido.
Mas, em várias ocasiões, Hartung deixou o PMDB nacional na mão, como em 2010, quando o partido esperava que ele lançasse candidatura ao Senado. Isso sem falar nas perdas que o partido teve pelo caminho por causa da política de grupo do governador. Uma das perdas mais emblemáticas foi a que decretou o fim da grife Camata.
Neste sentido, para o PMDB, perder Hartung pode no fim das contas ser uma boa oportunidade para o partido se reerguer no Estado. Perder um governador pode ser um duro golpe, mas não é o fim do mundo, até porque, Hartung nunca foi um peemedebista puro sangue. Segue apenas a lógica de seu interesse político e isso independe de coloração partidária.
Fragmentos:
1 – O empresário linharense Sérgio Pessotti migrou do PRB para a Rede Sustentabilidade. Em 2014 foi candidato a deputado estadual e obteve 5.388 votos. Teve uma rápida passagem pela conturbada equipe de governo do prefeito Nozinho Correa.
2 – Os deputados Gilsinho Lopes (PR) e Euclério Sampaio (PDT) criticaram os cortes de gastos na Assembleia que estão prejudicando os trabalhos dos parlamentares no interior.
3 – O vereador Reinaldo Bolão (PT) publicou um vídeo em sua página no Facebook mostrando a situação crítica do Restaurante Popular de Vitória. Não parece nada apetitoso.

