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Velha prática

As denúncias de gasto de R$ 25 milhões em um posto fiscal que não saiu da fase de terraplanagem estouraram na semana passada e, em meio à crise e a justificativa fraquinha do ex-governador Paulo Hartung, uma dinâmica que imperou durante os oito anos do governo passado foi novamente ativada. Uma matéria de página inteira sobre os 10 anos da prisão do ex-presidente da Assembleia José Carlos Gratz.

Essa prática foi muito usada no governo passado. Toda vez que uma crise se aproximava do Palácio Anchieta, uma nova manchete com Gratz era divulgada por meio de algum fato “novo”. Na verdade, o caso Gratz foi desmembrado pelo Ministério Público Estadual (MPES), um dos braços do arranjo institucional do ex-governador Paulo Hartung e as ações eram julgadas na Vara da Fazenda do Estado, em que atuavam juízes também ligados ao arranjo institucional.

Então havia um amplo leque de oportunidade para sacar uma nova denúncia contra Gratz, que na verdade era um desdobramento das mesmas denúncias anteriores, ligadas aos escândalos na Assembleia. Ou trazia-se alguma decisão da Vara da Fazenda. E assim, o foco era desviado e a crise no governo dissipada longe dos olhos da opinião pública.

Não que as denúncias ou as decisões fossem forjadas, mas a forma e o momento em que elas eram “pinçadas” serviam ao interesse palaciano na época. De fato, em 10 anos de caso Gratz, não há julgamentos porque na verdade nunca houve interesse em julgar e condenar.

Para o sistema de Hartung, baseado em uma política imagética de limpeza ética e política, era necessário que Gratz continuasse vivo. O julgamento e punição, caso fosse provado sua participação no esquema, eliminariam o inimigo e abriria espaço para a discussão de outros assuntos.

A manutenção do discurso maniqueísta de Hartung necessitava da figura de Gratz para estabelecer nele a figura de arqui-inimigo do governo Hartung a ser combatido. Com isso, ele evitava que o seu governo fosse observado no que se refere ao atendimento das áreas carentes do Estado, como saúde, educação e segurança pública.

Como o atual governador não utiliza essa prática, vem sendo cobrado por essas lacunas sociais. Graças ao arranjo político remanescente do governo passado, mantém a unanimidade política, por isso ele se mantém sem se abalar pelas cobranças.

Mas Hartung, ao ser confrontado e sem conseguir uma defesa consistente, recorre à velha prática para desviar o foco. O problema é que o ex-governador não tem mais o mesmo poder de fogo de quando estava à frente do Palácio Anchieta, por isso o jeito é esperar para ver se a dinâmica ainda funciona.

Fragmentos:

1 – Tirando o governador Renato Casagrande e parte da imprensa que ainda se mantêm fiéis ao ex-governador Paulo Hartung, a classe política não se desdobrou em uma defesa inflamada do ex-chefe do Executivo estadual. Com a antecipação do processo eleitoral e o desgaste de Hartung, essa não seria uma atitude inteligente.

2 – Casagrande tem condições de sair nesta defesa pelo peso do cargo. A imprensa, porque é dominada mesmo, mas o que chamou a atenção foi o silêncio da Assembleia. Euclério Sampaio (PDT), como se esperava, atacou, mas só Gildevan Fernandes (PV) se apresentou para defender Hartung. Mesmo assim, saiu tonto com o revide de Euclério.

3 – A Assembleia do Rio de Janeiro já tem uma Adin na ponta da linha para ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os royalties e a Assembleia capixaba ainda espera um encontro para discutir ações conjuntas com o legislativo carioca. Por essas e outras a disputa do próximo ano pode deixar muita gente de fora do Parlamento.

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