Está na hora de o governador Renato Casagrande acordar, em favor da sua própria sobrevivência política. Esse esquema de criminalizar o movimento das ruas, atribuindo-lhe atos de vandalismo, tem curta duração. É bom para as elites, para o empresariado, para a classe política. Passageiramente, assusta a classe média, que segura o filho para não participar dos protestos das ruas, coagida pela ameaça dele vir a ser vítima do “vandalismo”.
Mas tudo isso tem prazo de validade. Só a rua que não. Aí é que reside o risco. E a eleição está logo na frente. Ainda por cima, com as velhas formulações, a disputa tende, como diz Antonio Carlos Medeiros em seu artigo, a turvar o ambiente.
Quando o governador não dialoga e reduz a pauta da rua ao pedágio da Terceira Ponte, gera confronto. Pois deixa para o movimento duas únicas alternativas: abandonar a rua ou partir para o confronto. Até porque o movimento da rua é um movimento revolucionário. Como tal, o inesperado faz parte.
Recentemente, em artigo na revista Piauí, Mário Sérgio Conti lembrou que a Comuna em Paris, em 1871, foi uma surpresa. São Peterburgo, 1905, outra. Para ele, o movimento das ruas não significa que o Brasil esteja às vésperas de uma revolução, longe disso. Pois questão revolucionária não quer também dizer tomada de poder. E muito menos mudança radical da sociedade. A expressão serve para descrever o período em que um povo não quer mais viver como antes.
É isso que a Assembleia Legislativa não entendeu quando enganou manifestantes que ocupavam a Casa, formulando pauta de discussão, e não a discutiu. E o governador Renato Casagrande parece que também não. Pois a admissão dele para o diálogo veio quando o confronto já estava estabelecido.
Com base no crescimento da candidatura de Marina Silva – idealizadora da Rede Sustentabilidade – fenômeno que se explica no movimento das ruas, há algo que me diz: com esse débito com as ruas dos principais aspirantes ao governo, vem novidade por aí.

