Deve ser frustrante para um governante criar expectativa em cima de um novo projeto — confiante de que ganhará pontos preciosos de popularidade — e receber uma enxurrada de críticas de praticamente todos os setores da sociedade.
Basta correr os olhos pelo perfil oficial da Prefeitura de Vitória no Facebook para sentir o grau de rejeição às mudanças feitas no sistema de transporte público da Capital.
O prefeito Luciano Rezende (PPS), persecutório como é, deve estar atribuindo a repulsa ao Integra Vitória a intrigas políticas. A maioria dos comentários, porém, revela um descontentamento com a mudança. As manifestações parecem desprovidas de viés político. O Integra complicou mesmo a vida da população, sobretudo a menos abastada, que depende de ônibus para se locomover, e fim de papo.
No post de lançamento do sistema da Prefeitura há 69 comentários (09/10), todos criticando a mudança. “Essa coisa horrível que fizeram eh pra todo mundo andar d bicicleta? Pq o prefeito soh pensa nisso. Pelo amor, vitorinha era a única q tinha 1 ônibus só pra andarmos e agora essa confusão. Mudou pra pior”; outro usuário se queixa: “Temos que reagir.Ou volta como era, ou então vamos pra rua tirar esse Prefeito Ridículo”; um outro reclama da falta de discussão do projeto: “O sistema é péssimo e a gestão não dialoga com o público alvo. Gestão compartilhada só no papel”.
Já foram criados até perfis nas redes sociais criticando o Integra Vitória, o que reflete a insatisfação da população.
O prefeito que construiu sua campanha em cima no slogan da “mudança”, que prometia uma gestão revolucionária, apresentou como uma das principais bandeiras do seu projeto de governo os “gabinetes itinerantes”. Antes mesmo de assumir o comando da cidade, Luciano deu início às audiências populares. Queria escutar os problemas diretamente da boca do cidadão e discutir as soluções conjuntamente com a comunidade.
A proposta de gestão compartilhada parecia interessante, mas muitos dos problemas demandados não foram solucionados, e o “Gabinete Itinerante” passou a ser visto mais como uma jogada de marketing do prefeito para dar um verniz democrático à sua gestão.
Prova de que a interlocução com a população se perdeu é o insucesso do Integra Vitória. Uma das queixas dos usuários é que as comunidades não foram consultadas sobre as mudanças.
O novo sistema foi imposto de cima pra baixo. Resultado, em menos de uma semana só colecionou críticas vindas de todos os setores da sociedade, até a classe política tirou sua lasquinha.
O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, não perdeu a oportunidade de fazer a piada: “Estamos à disposição da @prefVitoria para mostrar como se faz integração sem prejuízo aos usuários. @LucianoRezende”, postou em tom de ironia o petista no Twitter.
Acuado pelas comunidades, que exigem a volta do antigo sistema, Luciano enfrenta um dilema: insistir com o projeto e ver sua popularidade despencar ainda mais ou reconhecer o erro e recomeçar do zero. Desta vez, ouvindo a população antes de promover as mudanças.