Nesta quarta-feira (20), o Dia da Consciência Negra é lembrado em todo o país. No Espírito Santo, as organizações sociais que militam na causa preparam manifestações para pedir mais empenho do poder público no combate à violência seletiva contra os negros.
Não é para menos. Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (19) mostrou que no Espírito Santo a expectativa de vida de um negro (os pardos estão inclusos no estudo) é reduzida em 5,2 anos no Estado – a segunda mais alta do país. A média nacional é de 2,4 anos. O índice capixaba só é menor que o de Alagoas, que lidera o ranking com 6,2 anos.
O estudo do Ipea “Vidas perdidas e racismo no Brasil” aponta que enquanto o crime de homicídio é a maior causa de mortes entre negros, é o trânsito que mais mata os não negros.
Boa parte das mortes de negros no Estado tem suas raízes relacionadas às questões socioeconômicas. Os negros costumam ter baixa escolaridade, convivem com altas taxas de desemprego e detêm renda média mais baixa em relação aos não negros. Consequentemente, moram nos bairros mais pobres e são mais suscetíveis à violência.
O Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes), uma das organizações mais atuantes na causa do negro no Estado, vem há anos chamando a atenção do poder público para alterar essa realidade.
Para o Fejunes, as políticas de Segurança Pública e de Justiça excluem os negros ao invés de incluí-los. Esse processo de exclusão fica evidente no perfil da população carcerária do Estado, onde os negros são a grande maioria.
O levantamento do Ipea se soma a outros estudos, como o Mapa da Violência 2012 – A cor dos homicídios no Brasil, que confirmam a matança seletiva de negros no Espírito Santo.
É preciso que poder público olhe com mais atenção para esses dados e se mostre disposto a discutir com as organizações da sociedade civil políticas públicas eficazes, que sejam capazes de mudar essa realidade perturbadora.
Nesta quarta-feira (20), representantes dos movimentos sociais vão bater novamente na porta do Palácio Anchieta para suplicar ajuda ao governo. A oportunidade está criada. Basta que o governo tenha vontade política para evitar que novas vidas sejam perdidas.

