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Violência latente

No ápice da crise na segurança pública, mal as Forças Nacionais haviam desembarcado no Espírito Santo, o governo do Estado tentava convencer a sociedade de que a situação estava voltando ao normal. O discurso otimista queria devolver a sensação de segurança à população, estratégia do governo para desmobilizar o movimento das mulheres, que bloqueavam as entradas dos batalhões da Polícia Militar. 
 
De alguma maneira funcionou. Mesmo com as Forças Armadas mais “desfilando” pelas ruas com soldados e blindados do que fazendo policiamento ostensivo, as pessoas retomaram suas rotinas na segunda semana de paralisação da PM, que duraria 22 dias e deixaria um saldo de 200 mortos. 
 
Dez dias depois da volta da PM, a situação está longe da normalidade. Nos últimos dias, o noticiário policial tem registrado um número crescente de casos de violência, sobretudo assaltos e homicídios. 
 
A vítima mais recente da violência foi Gercílio Manoel Scaldaferro, de 62 anos, morto nesta segunda-feira (13). O dono de um supermercado foi vítima de um latrocínio, roubo seguido de morte. O empresário estava a caminho de uma agência bancárias para fazer um depósito quando foi surpreendido pelo bandido. Reagiu, recusando-se a entregar o dinheiro. Morreu com dois tiros a poucos metros do banco, em plena luz do dia, no bairro de Terra Vermelha, em Vila Velha.
 
O crime se soma a outros que vêm acontecendo com nos últimos dias. Não é possível comparar estatisticamente os números de homicídios, depois da volta da PM, com os ocorridos no mesmo período do ano passado para verificar se houve aumento. O governo do Estado, como fez durante a paralisação da PM, se recusa a informar sobre os dados de homicídios. Não há transparência, o que dá margem para pôr em suspeição os números do governo.
 
O mesmo governo que tentou, ainda nos primeiros dias dos caos que tomou conta do Espírito Santo, dar à população uma “falsa sensação de segurança”. A percepção, porém, nos últimos dias, tem permitido que a sociedade, mesmo sem conhecer as estatísticas, se sinta insegura, vulnerável à violência. 
 
Não adianta o governo impor projetos de lei, prometendo “reformular” a polícia. Vai demorar meses, talvez anos para a PM capixaba se refazer inteiramente para poder devolver à sociedade a sensação de segurança. 
 
O governo sabe disso e se propõe a fazer um jogo de faz de conta. Nesse jogo, basta “parecer seguro”. Mas se criar fatos midiáticos é fácil, manipular a percepção das pessoas não é tão simples. As pessoas que presenciaram a morte de Gercílio na tarde desta segunda-feira dificilmente vão se esquecer tão cedo do que viram. 

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