quarta-feira, abril 1, 2026
24.9 C
Vitória
quarta-feira, abril 1, 2026
quarta-feira, abril 1, 2026

Leia Também:

Violência: tema indigesto

Em 2013, São Paulo registrou a menor taxa de homicídios do País: 10,5 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em dez anos, a queda nos homicídios dolosos em São Paulo é de 60%.
 
Considerando a média nacional, que beira 29 assassinatos/100 mil, os números de São Paulo são extraordinários. E a população, está satisfeita com os resultados? Se sente segura no maior Estado do País? Sem dúvida que não. Apesar dos números, o paulista continua se sentido refém da violência.
 
Violência é sempre um tema indigesto para qualquer candidato. Mesmo para o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa a reeleição, o tema continua sendo um desafio. Os números são positivos, mas a percepção da população sobre a violência não muda mesma na velocidade em que os índices caem.
 
Se mesmo com um terço da taxa de homicídios da média nacional o assunto é encrenca para o governador tucano, imaginem num Estado que convive há mais de uma década com índices de guerra civil, que rompem a barreira dos 46 homicídios/100 mil? 
 
Em entrevista à Rádio CBN-Vitória, na manhã desta segunda-feira (11), o governador e candidato à reeleição Renato Casagrande (PSB) não escapou do tema violência. Garantiu que seu governo vem trabalhando duro para reduzir a violência, mas admitiu que precisará de mais quatro anos para baixar os índices do Estado ao patamar da média nacional que, diga-se, é altíssimo se comparado aos padrões internacionais. 
 
No primeiro semestre deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança, 870 pessoas foram assassinadas no Estado. Esse número projeta para 2014 uma média de 49 homicídios por 100 mil. Se essa taxa se confirmar, superará as de 2012 (47) e 2013 (44). 
 
Se Casagrande chegar ao final de 2014 com 49 homicídios/100 mil, ele terá que reduzir a taxa em 20 pontos para cumprir a promessa de se igualar à media nacional. Um baita desafio. 
 
É verdade que o atual governo conseguiu conquistar alguns avanços significativos na área de Segurança. Aumentou o efetivo das policias em três anos e meio de governo em quase 6 mil homens. As contratações de novos policiais no governo socialista é quase seis vezes maior que as do governo Hartung em oito anos.
 
Apesar dos investimentos de Casagrande e da criação do Estado Presente — que não é a última palavra em programa de Segurança, mas já é alguma coisa —, o avanço na área de Segurança ainda é tímido. De outro lado, é estupendo se comparado à gestão de Hartung, que não criou um único programa na área de Segurança e assistiu passivo a morte de mais de 14 mil pessoas entre 2003 e 2010. E não adianta falar que o Mapa do Crime pode ser chamado de programa de Segurança. 
 
Hartung sucateou as policias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, tanto em relação à reposição de efetivo quanto aos investimentos em infraestrutura e inteligência. Isso não é segredo para ninguém. É só perguntar para os próprios policiais ou para o secretário de Segurança André Garcia, que esteve na gestão de Hartung e está na gestão atual. Ele que conhece os dois governos pode fazer a comparação com propriedade.
 
Que o atual governador está fazendo muito mais pela área de Segurança, não resta dúvida. O problema é que “muito mais” ainda é muito pouco para o Espírito Santo, porque estamos falando de vidas que são abreviadas todos os dias pela violência. 
 
Mesmo Casagrande, que tem desempenho bem superior ao de Hartung na área, vai sempre engasgar na hora de abordar o tema. É difícil convencer a população de que a violência vem reduzindo gradativamente. Após mais de uma década sobrevivendo a índices de guerra civil, o cidadão capixaba está traumatizado. Vive na iminência de que será a próxima vítima da violência ao dobrar a esquina.
 
O tema continuará sendo indigesto por um longo tempo. É difícil prever quanto tempo será necessário para a população do Espírito Santo ter de volta a sensação de paz. 

Mais Lidas