Não é segredo que desde sua passagem pelo Senado, o governador Paulo Hartung (PMDB) sempre quis se tornar uma figura política de referência nacional. Sua passagem pelo Senado, porém, assim como a maioria dos capixabas que lá estiveram, se restringiu ao baixo clero.
Ao chegar ao governo do Estado, 2003, essa visibilidade nacional ficou ainda mais distante, até pelas condições do estado que governava. Espremido na região sudeste e tendo como vizinhos os estados mais importantes do País, o Espírito Santo não dava manchete em jornais de circulação nacional, a não ser pela pauta negativa de violência: homicídios e violações de direitos do sistema prisional. E dessa pauta Hartung queria distância.
Com a chegada a seu terceiro mandato, Hartung viu na crise econômica que assola o País uma oportunidade de conseguir o espaço sonhado. Com um discurso pró-ativo, o governador vem propondo soluções que passam pela união dos governadores e colocando-se como um exemplo de gestão.
Para isso, assumiu o governo com o discurso de que havia recebido do antecessor, Renato Casagrande (PSB), o Estado quebrado e que graças à sua competência administrativa – que se resume a cortes drásticos em áreas fundamentais e o fim da ajuda aos prefeitos –, ele teria conseguido “recolocar o Estado nos eixos”.
Para isso, precisou subir no muro, politicamente falando, nada muito difícil para quem fez isso durante todo o tempo em que esteve no governo, oscilando entre tucanos e petistas, sem assumir uma posição. Com os governadores acuados, Hartung conseguiu alcançar o espaço que ele sempre desejou na mídia nacional, fazendo assim com que sua imagem política, que nunca permitiu voos para além das divisas do Estado, ganhasse uma musculatura maior.
Agora, o que ele pretende fazer com essa musculatura é que são elas. Talvez, reverberar para dentro do Estado sua imagem, já que apenas o domínio da mídia local não lhe daria a legitimidade necessária para fazer valer o discurso de palanque. Até porque aqui, insistindo nessa desconstrução do antecessor, teria que lidar com a reação de Casagrande.
Ou quem sabe, construir um palanque ao Senado, para que possa chegar não como mais um, mas com o peso de um senador de alto gabarito. Mas ainda precisa driblar a animosidade de outras lideranças políticas nacionais que não morrem de amores por ele.
Fragmentos
1 – O governador Paulo Hartung promete ingressar nesta segunda-feira (30) com uma ação conjunta do Espírito Santo, Minas Gerais e da União, solicitando a criação de um Fundo em que a Samarco deverá aportar inicialmente R$ 20 bilhões para a revitalização socioambiental da Bacia do rio Doce.
2 – O deputado Sérgio Majeski (PSDB) comemora os mais de 200 vídeos publicados em seu canal no Youtube, com entrevistas, discursos e comentários sobre temas importantes para o Estado. O deputado está sabendo usar as redes sociais.
3 – Na sexta-feira (04), o secretário da Saúde, Ricardo de Oliveira, retorna à Assembleia para prestar contas de seus trabalhos à frente da pasta durante o segundo quadrimestre deste ano. A apresentação terá início às 9 horas no plenário Dirceu Cardoso.

