O senador Ricardo Ferraço (PSDB) ganhou uma chance de retornar ao jogo político do próximo ano com o pedido do ministro Edson Fachin para excluí-lo da investigação da Lava Jato. O caso de Ferraço não encerra seus problemas no Supremo Tribunal Federal (STF), afinal, o que vai acontecer é uma redistribuição do processo, mas tira dele o rótulo “Lava Jato” que, convenhamos, já é um adianto.
Só para entender o que isso significa, basta ver o exemplo do governador Paulo Hartung (PMDB). De abril até o início de agosto, Hartung, que vinha até o início deste ano povoando as páginas da imprensa nacional como um possível nome até à Presidência da Repíblica, havia desaparecido do noticiário. Seus movimentos políticos também ficaram bem limitados no Estado. Era a sombra incômoda do selo Lava Jato.
A partir do arquivamento da denúncia levantada por ex-executivos da Odebrecht de ter articulado recebimento de caixa dois para seus aliados em 2010 e 2012, ele voltou aos holofotes e já consegue emplacar as notícias de projeção nacional. É claro que Ricardo Ferraço não tem a FSB Comunicação para passar um pano em tudo, mas a faca pode ser retirada de seu pescoço, se a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, aceitar o pedido de Fachin.
Isso também não resolve completamente o problema de Ricardo Ferraço para o próximo ano. Ele se livra da Lava Jato, mas ainda precisa de fortalecimento para garantir a reeleição ao Senado em 2018. O senador enfrenta uma eleição difícil, que pode ter a disputa mais acirrada do cenário eleitoral no próximo ano.
Ele e o senador Magno Malta (PR) podem ter dificuldade para garantir suas cadeiras, diante de um quadro de interessados na disputa. Podem entrar na briga pelas duas cadeiras os deputados Amaro Neto (SD), Sergio Majeski (PSDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB), todos com chances de eleição e que ameaçam a vaga do tucano, que sofre com a barreira dos votos.
Livre da Lava Jato, Ricardo pode retomar o projeto de parceria com Magno Malta e manter as conversas tanto com o palanque de Paulo Hartung quanto o de Rose de Freitas (PMDB)/Renato Casagrande (PSB), procurando a melhor acomodação e um reforço que lhe traga os votos necessários para se manter em Brasília.
Fragmentos:
1 – Mais da metade da bancada capixaba votou contra o distritão: Os dois deputados do PT, Helder Salomão e Givaldo Vieira; Sérgio Vidigal (PDT), Paulo Foletto (PSB), Jorge Silva (PHS) e Evair de Melo (PV).
2 – O deputado Givaldo Vieira afirmou nas redes sociais que é no sistema proporcional onde são representadas as ideias, os partidos e as minorias. “O distritão, principalmente, acabaria com a representatividade, excluiria votos dos eleitores e não estaria de acordo com os preceitos da democracia. Por isso, me posicionei contrariamente e defendo, ainda, o fim das coligações para eleições proporcionais e sou a favor do financiamento público de campanha”, disse.
3 – As escolhas do advogado Homero Mafra podem atrapalhar a disputa a reeleição para a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Espírito Santo (OAB-ES), no ano que vem. É que ter ido à delegacia na condição de presidente da ordem e sair de lá com emprego garantindo, não pegou bem entre a categoria.

