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Voo cego

O povo de PH está convencido de que ele ainda não abandonou completamente sua pretensão de disputar o Senado. Acham que ainda há chance, muito embora reconheçam que o golpe do senador Ricardo Ferraço (PSDB), ao anunciar a opção pela reeleição, tenha sido certeiro, do ponto de vista estratégico.
 
Mas pelo ângulo eleitoral, vamos encontrar Rivardo insuficiente no que diz respeito à capacidade de atrair votos. Melhor dizendo: Ricardo é bom de estratégia, mas ruim de voto. E PH ainda conta a seu favor com o deputado estadual Amaro Neto (SD) para formar com ele uma dupla para o Senado, capaz de fazer frente a Ricardo Ferraço e Magno Malta (PR), cada vez mais siameses no projeto de reeleição.
 
Só que empreitada obrigaria PH a entregar o governo ao vice César Colnago (PSDB). Aí que a porca torce o rabo. Com nove meses no comando do Estado, Colnago pode mudar o destino de PH, que ficaria vulnerável ao tucano. 
 
A essa altura do campeonato, Colnago terá que abrir mão de uma candidatura à reeleição para o governo para segurar a barra de PH numa disputa, relativamente, indigesta. Logo Colnago, que sempre foi um ganhador compulsivo de eleições.
 
O que lhe daria, a priori, a condição de segurar à disputa de PH ao Senado. Fora da disputa para o governo, o que ganharia Colnago à sombra de PH? Uma insegura reeleição para o governo, por encontrar-se no mesmo partido de Ricardo Ferraço. Vejam, então, que o destino de PH não está mais, como sempre esteve, em poder dele próprio.
 
Dessa forma, é possível prever que PH está nas mãos de terceiros para alcançar o Senado, que ele tanto deseja como fórmula de firmar-se na política nacional. Para chegar a tanto, porém, é necessário que tenha o domínio político do seu próprio Estado, que não anda nada favorável.
 
Até o ex-governador Renato Casagrande (PSB), desidratado eleitoralmente do jeito que anda, vira obstáculo para o projeto de PH. O que eu quero dizer, enfim, é que ainda há condições, por mais que sejam remotas, de Hartung cumprir objetivo dele. Só que, dessa vez, não depende mais dele, como ocorreu por todos esses anos. 
 
Diria ainda mais: um PH oscilante é comida de onça. O buraco, portanto, é mais embaixo. Ele depende dos outros. É um desafio e tanto para ele. Se o plano “A” falhar, resta a PH cumprir seu mandato até o fim e apostar todas as suas fichas em um sucessor ou ainda disputar a reeleição para um perigosíssimo quarto mandato.  
 
Daí a incerteza do seu futuro político, ainda mais pelo nítido grau de dependência do Colnago, um político insinuante e ardiloso, capaz de desenhar fórmulas tanto com a mão esquerda quanto com a direita.

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