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Vulnerabilidade de Hartung

Tirando a polêmica gerada com o discurso contundente do vereador Cabo Max (PP) sobre a homenagem da Câmara de Viana ao governador Paulo Hartung (PMDB) nesse domingo (23), a solenidade revela outros pontos que merecem destaque no cenário político. O principal dele é a aproximação com o prefeito Gilson Daniel (Podemos).
 
Para quem não se lembra, Daniel foi aquele quem coordenou um grupo com mais de 60 prefeitos, que declararam apoio à reeleição de Renato Casagrande (PSB), em 2014, ao governo do Estado. No fim das contas, daquela lista, poucos foram os municípios em que Casagrande venceu Hartung, mas o ato ficou marcado no cenário político daquele ano.
 
Também foi Gilson Daniel que há poucos meses publicou uma dura carta à população ao retirar sua candidatura à presidência da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), alegando que a pressão palaciana esvaziando seu rol de apoios tornou impossível sua permanência na disputa. Naquele momento, o prefeito se uniu a uma forte desafeta política do governador, a senadora Rose de Freitas (PMDB), uma liderança que ele combate não é de hoje, sem conseguir aniquilá-la.
 
Em outros tempos, Gilson Daniel estaria no caderninho de personas non gratas do governador, como uma liderança a ser combatida. Por muito menos, Max Filho (PSDB) governou Vila Velha sem qualquer ajuda do Palácio Anchieta, perdeu o apoio do partido (então PDT) em 2006 para a disputa ao governo e teve todas as portas de outras legendas fechadas para a disputa de 2010.
 
Mas os tempos são outros e Paulo Hartung também. Algumas ações irreconhecíveis do governador revelam a fragilidade do momento, motivadas por uma sequência de fatos no primeiro semestre deste ano que ruíram a imagem do peemedebista, tanto em nível nacional quanto local.
 
O prefeito Gilson Daniel, embora tenha falhado em suas duas tentativas de enfrentamento ao governador, mostrou capacidade de aglomeração, de comando de um grupo, o que pode ser decisivo para Hartung na disputa do próximo ano. Além disso, Viana, mesmo tendo um eleitorado pequeno em relação ao restante da Grande Vitória, é um município que Hartung pode conquistar de forma simbólica, atraindo os prefeitos dos outros municípios, que se mostram oscilantes, como Audifax Barcelos (Rede), na Serra, por exemplo.
 
Mas o que restou evidente na sessão solene desse domingo também é que pouco adianta o apoio político se o governador não conseguir reconstruir sua imagem com a população, que ao que parece, não é das melhores. A crise na Polícia Militar se transformou em um fantasma disposto a perseguir o governador até o processo eleitoral, além da citação na Lava Jato — sempre um caixinha de surpresas. Não importa como ele aparece, nem as justificativas do advogado. Importa que ele aparece.
 
Para o eleitor, o rótulo colado em sua vitrine vai complicar sua movimentação pelos palanques. São problemas que o governador vai ter de solucionar antes do processo eleitoral ou sua campanha à reeleição estará em risco antes mesmo de começar.
 
Fragmentos
 
1 – O ex-governador Renato Casagrande (PSB) tem um encontro na Câmara de Guaçuí, no sul do Estado, nesta segunda-feira (24), dentro de sua movimentação para discutir a conjuntura política do Estado. Lembrando que Guaçuí é a terra natal do governador Paulo Hartung (PMDB), seu grande adversário.
 
2 – O mercado político continua curioso sobre o comportamento dos 10 deputados excluídos do jantar de segunda-feira passada no Palácio Anchieta. Será que o governador está mesmo em condições de abrir mão do apoio de um terço da Assembleia?
 
3 – A Câmara da Serra aprovou o projeto de resolução 10/2017 que cria a Comissão Especial de Acompanhamento e Fiscalização das Obras da BR-101, no trecho que corta o município. Proposta pelo vereador Pastor Ailton (PSC), a comissão contará também com os vereadores Cabo Porto (PSB) e Fabio Duarte (PDT).

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