Eleição ao Senado é tarefa difícil e somente poucos conseguem alcançar a vitória. Como no jogo e xadrez, os lances devem ser ousados e precisos, sempre olhando para frente do campo de batalha. No entanto, existe uma particularidade. Para ganhar a partida, o jogador não precisa, necessariamente, ser um velho e experiente enxadrista. Basta entender a lógica, a mecânica do jogo, para se dar bem.
No cenário político do Espírito Santo, a disputa por uma vaga para concorrer ao Senado insere-se nessa mecânica. Velhos e experientes jogadores como os senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB), de repente, se veem ameaçados com movimentos de quem têm pouco tempo de jogo.
Como o cavalo do xadrez, os novatos pulam etapas, de um lado ao outro, e se colocam frente a frente com velhos e experientes bispos e rainhas do jogo, habituados a comandar a cena política. Nesses momentos, esses jogadores profissionais com anos de experiência têm que sentar para conversar, mesmo a contragosto.
Dois novatos irromperam no velho e surrado tabuleiro político capixaba e operam movimentos que os colocam como coadjuvantes de destaque com chances de passaram a ser protagonistas principais do jogo.
São eles os deputados Amaro Neto (SD) e Sergio Majeski (PSDB), que assombram os dois senadores cujos mandatos terminam este ano. Cada um ao seu modo, eles empolgam o eleitorado e avançam.
Amaro, o apresentador de TV piegas e com forte apelo popular, por pouco não deixou para trás na eleição de 2016 o ineficiente prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS). Perdeu, mas reuniu capital eleitoral suficiente para disputar cargos mais altos, como o Senado. O prefeito se reelegeu com pequena margem de votos, em inequívoca demonstração de que a população cansou de uma administração que só se sustenta por meio de ações de marketing.
Majeski conseguiu destaque por suas posições equilibradas e bem colocadas, transformando-se no único deputado estadual a exercer, de fato, o papel constitucional de fiscalizar as ações do poder Executivo. Desse modo, cresceu no jogo e pode vir a concorrer ao Senado.
Os dois representam forte ameaça aos dois velhos enxadristas. O cantor gospel Magno Malta tenta se fortalecer junto ao público evangélico, área onde experimenta significativo desgaste, e o representante da classe empresarial Ricardo Ferraço busca se livrar de amarras erguidas no jogo político. Trabalham para romper barreiras construídas por tropeços decorrentes de jogadas equivocadas.
Majeski e Amaro definem as jogadas depois do Carnaval, quando o ano começa a funcionar normalmente. Amaro, ligado ao Palácio Anchieta, aguarda definições sobre o caminho que tomará o governador Paulo Hartung. Mais solto, Majeski espera reunir apoios ao seu projeto por meio de acertos com o grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Ainda faltam muitas jogadas, mas como os pulos dos cavalos do xadrez, os movimentos precisos dos novatos representam ameaça real aos experientes jogadores Magno Malta e Ricardo Ferraço.

