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Xô, abutres e vampiros

Alguns economistas começam a colocar em dúvida a eficácia da ortodoxia monetária e fiscal no combate à inflação na economia brasileira.
 
É uma conversa de iniciados que pouco interessa ao público em geral, mais “focado”, como se diz, no dia-a-dia, o “day by day”, mas cabe lembrar que o assunto não se esgota na dualidade câmbio-juros. Focar só isso é “laborar no erro”, como se dizia antigamente.
 
Quando falam em ortodoxia fiscal e monetária, os economistas se referem à atual contenção de gastos públicos, à elevação da taxa de juros Selic praticada pelo do Banco Central (para o pagamento da dívida do Tesouro Nacional) e, finalmente, ao câmbio.
 
Antes de mais nada, é preciso lembrar que esses três itens – gastos públicos, taxa de juros e cotação do câmbio – são de difícil controle porque dependem de variáveis situadas mais ou menos fora do alcance do governo. Vejamos:
 
I – Os gastos públicos podem ser protelados (“contingenciados”, no jargão do serviço público), mas entre eles há itens inescapáveis como o custeio da máquina, o pagamento do pessoal ativo, as aposentadorias e pensões dos inativos, as verbas obrigatórias para manutenção de setores básicos (educação, saúde, segurança), as obras inadiáveis, os investimentos em novos projetos de infraestrutura e, especialmente, o serviço da dívida, que come um bocado da grana nacional. Isso, no Executivo; não falamos do Legislativo e do Judiciário, que administram as próprias despesas como se não houvessem limites orçamentários. 
 
II – A taxa de juros manipulada pelo Banco Central obedece mais aos fluxos financeiros internacionais do que aos interesses nacionais, se é que esses ainda estão vivos em nosso contexto político, mais orientado para a “inserção na economia global”, na qual prevalecem os interesses dos países mais fortes.
 
III – Quanto à taxa de câmbio, idem: o que mais pesa são os fluxos de comércio, turismo e investimentos externos. É preciso entender que o câmbio e os juros são tipo irmãos/amigos inseparáveis que “atam e desatam em Manhattan”, como disse um empresário paulista no apagar das luzes do enganoso “milagre econômico brasileiro” da ditadura militar (1964-1985).
 
Trocando em miúdos, é muito reduzida a autonomia dos administradores públicos de países da periferia do sistema econômico dominante.
 
Por mais que tente falar grosso no concerto global, o Brasil ainda não tem peso para se confrontar com os EUA, Europa, Japão e China. É até bom que assim seja. Melhor a conciliação do que a confrontação. Ser potência econômica exige poderio bélico e outras sandices.  
 
Na realidade, o Brasil só vai conseguir ser independente e autônomo quando se livrar do endividamento que mantém o governo amarrado a uma política de juros que só atende aos credores e seus intermediários financeiros.
 
Assim, a discussão sobre as alternativas à ortodoxia monetária não pode ficar restrita aos itens câmbio e juros. O buraco é nitidamente mais embaixo.
 
 Dificilmente o Brasil sairá desse dilema crucial sem denunciar a dívida. O clima para isso nunca foi tão favorável.
 
O sistema financeiro internacional ancorado no dólar está maduro para um realinhamento via “default”, o popular calote.
 
LEMBRETES DE OCASIÃO

 

“Para mim, os maiores pecados são aqueles que vão na estrada da mentira, e são três: a desinformação, a calúnia e a difamação”.
  Papa Francisco em março de 2014
 
 “A concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico”.
  Papa Francisco em julho de 2015

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