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Zerou o jogo

Ao encampar o resultado preliminar da auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), suspendendo o pedágio na Terceira Ponte, o governador Renato Casagrande mostrou que jogo político é com ele mesmo. Já estava tudo armado para o socialista perder a primeira partida da disputa pela sucessão para o ex-governador Paulo Hartung (PMDB).
 
Pois nenhum governador sem uma razão muito  forte adotaria, para um caso de tal monta, uma auditoria ainda em estágio preliminar. Muito menos sem ouvir a parte contrária, no caso a Rodosol, que ainda integra o forte sistema de poder instalado no Espírito Santo. Para Casagrande, prevaleceu os sentimentos mudos da derrota. Foi um instante, quando um leão estava prestes a estraçalhar a sua presa.

O ego político do governador falou mais alto e acabou roubando a cena política da Praça do Pedágio que, diga-se de passagem, desde quando 100 mil pessoas foram às ruas exigir o fim do pedágio, virou o principal troféu eleitoral dos políticos oportunistas. 

 
Alguns, como o deputado estadual Euclério Sampaio (PDT), viram ali suas chances de uma reeleição estupenda. Antes da decisão do governador Casagrande, no auge de seus delírios eleitorais, Euclério chegou a cogitar até ser candidato ao governo do Estado. Logo ele, que havia chegado à Assembleia Legislativa como mero suplente. E o pedetista foi longe na sua intenção de atrelar sua imagem à campanha pelo “pedágio zero”. Adotou uniforme em alusão à reivindicação que veio das ruas, distribuiu adesivos e passou a ser protagonista das propagandas partidárias de seu partido, repetindo sempre o mesmo discurso.
 
Em qualquer outro cenário, a sensatez governamental exigiria uma tomada de decisão somente após o veredicto final da auditoria. Mas havia necessidade de atropelar a Assembleia Legislativa, que se preparava para recolocar em discussão o projeto de decreto legislativo que propõe sustar a vigência do contrato de concessão. Um jogo combinado do Euclério com o presidente da Casa, Teodorico Ferraço (DEM).  
 
Um verdadeiro símbolo eleitoral para ser compartilhado com a maioria dos deputados. Tanto é, que logo Casagrande se antecipou, o que se viu na Casa foram movimentações desesperadas para tentar mostrar a participação da Assembleia no processo. Quem era a favor do pedágio e contra, passou a exaltar a atitude do governador. As desavenças ficaram para atrás, assim, como num passe de mágica.
 
Se Casagrande não tivesse resolvido assumir a história, a polêmica do pedágio iria fazer com que os deputados se banhassem nas luzes da ribalta. Um verdadeiro vespeiro para o governador colocar a mão. Não é o caso de distinguir ganhadores e perdedores, e sim de devolver os louros às redes sociais, que levantaram a questão, tomando as ruas e a Assembleia. Na ausência dos protestos que ganharam as ruas de Vitória no ano passado, o assunto sequer teria sido tema de qualquer debate, muito menos alvo de suspeições.
 
Se há mérito nesse resultado, certamente é dos manifestantes. A atitude do governador Renato Casagrande deve ser considerada como de legítima defesa, recolocando o quadro eleitoral no seu devido lugar. Principalmente, porque o Espírito Santo está marcado para viver um processo eleitoral singularíssimo. 
 
Não é o caso de dizer que Casagrande ganhou o jogo com sua atitude na suspensão do pedágio da Terceira Ponte. Ainda é prematuro. O que ele fez foi zerar o jogo eleitoral com Hartung e nivelar as demais disputas. Embora continue ciente: o ex-governador flutua com borboleta e ferroa como abelha.       

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