Ugo Giorgetti consegue tratar de histórias intensas sem perder a leveza e o bom-humor – fez isso em Festa (1985), filme sobre o começo da abertura política no país depois dos longos anos da ditadura militar. A fórmula se repete em seu mais novo longa, Cara ou Coroa.
Estreia do Cine Jardins deste final de semana, o drama retrata a geração do início dos anos 70, que viveu e participou intensamente dos movimentos políticos durante os anos de chumbo. O foco escolhido foi um grupo de jovens do meio teatral, arte que representava a resistência e o inconformismo da época.
Com a censura, perseguições e torturas institucionalizadas pelo AI-5, ser jovem significava viver de forma arriscada. Para não se omitir, o ator de teatro Getúlio (Geraldo Rodrigues) filia-se ao Partido Comunista, mesmo contra a vontade de seu pai (Otávio Augusto) conservador.
Lilian (Julia Ianina), namorada de Getúlio, também começa a se interessar pelo engajamento político, mas tem medo de seu avô (Walmor Chagas), um respeitado general na reserva. Correndo risco de serem descobertos e presos, os jovens idealistas tentam refugiar dois perseguidos políticos na Mansão do avô de Lilian.
Cara ou Coroa é um filme sobre o impacto da ditadura militar na vida de pessoas comuns. Com o roteiro também escrito por Ugo, os personagens são definidos de forma mais humana e realista, que vai além do posicionamento político de cada um e do herói idealizado, comumente retratado em filmes sobre o período.
Serviço
Cara ou Coroa (Idem, Brasil, 2012, 110 minutos, 12 anos)
Cine Jardins – Shopping Jardins: Sala 2. 19h05.

