Mais: mulheres homenageadas; musical em Afonso Cláudio; e cantores cegos
O Cine Multiverso, em Divino de São Lourenço, em Patrimônio da Penha, no Caparaó capixaba, recebe no próximo dia 8, a pré-estreia do documentário Aragem, de Renata Costa e Taís Lobo. O evento, aberto ao público, será às 19h. A obra audiovisual propõe uma imersão sensível, política e poética nos ventos e suas conexões com os saberes de seis mulheres, que segundo as idealizadoras, carregam “os desejos pelo movimento e pela liberdade”.

Entre as seis mulheres, cinco são capixabas: Cartiane Martins, Gessi Cassiano, Zilma Tupiniquim, Lorena Pires e Simone Raquel. A sexta é a metereologista paraibana Taciana Toledo, considerada por Taís Lobo e Renata Costa “uma mulher do mundo”, pois residiu em São Paulo, Vitória, e atualmente mora em Belo Horizonte, onde atua como chefe do departamento do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Gessi Caetano

Gessi Cassiano é uma das grandes referências da luta do Sapê do Norte e do Quilombo do Linharinho, em Conceição da Barra, norte do Estado. Taís Lobo também destaca seu trabalho como artista, filósofa, agricultora e zeladora do Ponto de Memória do Jongo de Santa Bárbara, divindade ligada aos ventos, “e que nos traz sempre o ensinamento sobre o que é resistência e ancestralidade”. O Ponto de Memória funciona há mais de seis anos, sendo um espaço para atividades como festas, encontros e reuniões de lideranças das comunidades quilombolas.
Simone e Cartiane
Simone, informa Taís, é geógrafa, atuante no desenvolvimento de cartografias sociais no território do Sapê do Norte, junto às comunidades. Além disso, é filha de Oyá, orixá relacionada ao vento. Cartiane é uma das primeiras mulheres capixabas a se dedicar ao ensino da vela. “Ela tem uma perspectiva de gênero, de maretório e de compreensão da navegação totalmente intrínseca ao fato de ser mulher, mãe e ter nascido e crescido na Ilha das Caieiras, carregando consigo saberes náuticos diversos, e um conhecimento extremamente íntimo, científico e sensorial dos ventos e das marés”, dizem as idealizadoras.
Zilma Tupiniquim

De acordo com Taís, Dona Zilma, indígena Tupinikim, elas conheceram através de uma amiga de Renata. “Era importante para nós ter essa troca com uma mulher cuja etnia é historicamente ligada às marés e aos ventos, além de integrar um coletivo indígena de agrofloresta, com uma enorme ciência em torno dos manguezais e das formas de produzir oxigênio e bem-viver”, afirma.
Lorena Pires
“Por último, nos chegou Lorena, de uma forma improvável e em cima da hora. Um dia estava nadando, e enquanto nadava entendia mais sobre fôlego e formas de soltar o ar. Lembrei que nossa voz é uma respiração sonora, nosso vento interno. Pensei em uma cantora lírica, pessoa que entende perfeitamente como o ar e o som entram e saem de nossos corpos. Uma amiga cantora me falou de Lorena, que prontamente topou gravar conosco e trouxe ideias visuais e sonoras que foram um arremate para este filme”, conta Taís sobre a escolha de Lorena.
Mamma Mia

O musical Mamma Mia é o tema da nova apresentação do Coral Cantares, coordenado pelo Instituto Cultural das Montanhas. Formado por 40 coralistas de 16 a 75 anos de idade, o conjunto vai reviver as famosas canções do grupo sueco Abba no próximo dia 29 de outubro, às 19h, no Centro Cultural José Ribeiro Tristão, em Afonso Cláudio, município da região serrana do Espírito Santo. O ingresso custa R$ 5,00, à venda na bilheteria ou no WhatsApp (27) 99699-6584.
Atravessando gerações
O repertório vai reunir sucessos do Abba que atravessam gerações, como Super Trouper, Dancing Queen, Chiquitita, Mamma Mia e Money, Money, Money. Todas as canções fazem parte do musical Mamma Mia, escrito por Catherine Johnson em 1999 e que chegou aos cinemas em 2008. Além disso, o musical terá adaptações de peças cantadas em português, como Bom pra mim e pra você, Último verão, Entre os meus dedos e Não gaste sentimento.
Orquestra de Cantores Cegos

O Teatro Universitário, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de Goiabeiras, recebe a estreia do terceiro repertório da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos, na próxima quarta-feira (5). A apresentação tem duração estimada em 45 minutos, com duas sessões, às 15h e às 20 horas. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser solicitados através do site Le Billet a partir do dia 1º de novembro. Cada pessoa pode retirar até dois ingressos, por meio deste link.
Viagem musical pelo Brasil
Na Orquestra de Cantores Cegos serão apresentadas cantigas advindas de diferentes manifestações culturais, como o canto do maracatu, a melodia do catimbó, o boi-de-mamão, o bumba-meu-boi, o coco de roda, a roda pisada, o rojão de roça e outros cantos de trabalho. O Espírito Santo está representado com o congo Tira a Canga do Boi, tradicionalmente transmitido pela Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.
Viagem musical pelo Brasil II
Também estão presentes na apresentação os estados de Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Pará e Rio Grande do Norte. Mas é o Acre que se destaca nesta edição, com quatro músicas: Wacomayá, canto indígena original do povo Noke Koi; Xuc Xuc e Caboclo do Mato, fusão de cantos indígenas do povo Shanenawa, e Huni Kuin, com melodias dos bailes dos seringueiros; e Uniti, canção de origem indígena da região do Alto Purus.
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