Terça, 07 Mai 2024

Encontro internacional de capoeira emociona Itaúnas

Encontro internacional de capoeira emociona Itaúnas
Fotos: Adriano Chediak/Revista Capoeira
 
Rafael Capoeira e Sururu. Os dois mal tinham ultrapassado o doce marco dos 10 anos de idade quando começaram na capoeira pelas mãos do Mestre Capixaba. Três décadas depois, eis o trio novamente reunido, agora em Itaúnas (Conceição da Barra), no Encontro Internacional e Jogos Abertos Acapoeira, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de agosto.
 
Novamente pelas mãos daquele que lhes ensinou as primeiras gingas e manhas da luta, Rafael e Sururu formaram-se mestres de capoeira. Se foi emocionante? Claro que foi.
 
Cerca de mil pessoas passaram pelo encontro deste ano. É certo que o tempo instável não ajudou muito. Chuvas tenebrosas desabaram sobre a vila durante os quatro dias, abrindo apenas às vezes um espacinho para o sol. O tradicional aulão, por exemplo, sempre realizado em frente à igreja, fez falta. A chuva transformou a área num grande lodaçal. 
 
No entanto, mais certo ainda é que o evento deste ano deixou saudades. A combinação de cultura, esporte e local é fatal nesse sentido. As aulas de capoeira e percussão sempre se harmonizam com a beleza natural da rústico vila do norte capixaba.
 
Oficineiro de percussão, o performático mestre Lua Rasta (BA) levou o casco e couro do atabaque para mostrar todo o lento e gradativo processo de feitura do instrumento. Os alunos aprenderam o toque do jongo e do maculelê. Falando e música, atração à parte foi o mestre Toni Vargas (RJ). De voz potente e rascante, o poeta e compositor fazia todos pararem para escutar quando ele se punha a cantar.
 
Inspirado pelo encontro - e certamente pelo ar de Itaúnas - o professor Tibério, do grupo Guanabara (AC), compôs uma música em homenagem ao acontecimento e, sobretudo, ao lugar que o recebia. O refrão é simples, porém belo e eficaz. Não demorou para os capoeiristas entoarem em uníssono os quatro versos:
 
Vila de Itaúnas
É pra lá que eu vou
Jogar capoeira
Berimbau quem me chamou
 
Como em todos os anos, o ato mais emocionante do encontro coube à formatura dos mestres. Rafael Capoeira é hoje um homem de 42 anos. Natural do Espírito Santo, morava em Vitória quando entrou nas rodas de capoeira. A vida o levou para o Rio de Janeiro, onde mora há 20 anos. Outro capixaba, de Guarapari, que também há duas décadas deixou o estado natal é Sururu. Hoje, aos 40, mora em Belo Horizonte. 
 
Os dois começaram praticamente juntos na capoeira e depois se afastaram. Ainda assim, mesmo apartados por alguns quilômetros, nunca desataram os laços. Quando um precisava, o outro estava sempre a postos.
 
Essa união se refletiu na cerimônia de formatura. Mestres, professores e instrutores, cada um com um berimbau na mão, formaram um corredor para a passagem dos formandos, o som do instrumento dramatizando a cena. Foi uma comoção geral. Os novos mestres contaram o que viveram para chegar até ali. Agradeceram aos amigos e, mais que tudo, à capoeira, por tudo o que ela lhes ofertou pela vida.
 
 
Outro fato de destaque relaciona-se à presença dos mestres: Preguiça (Los Angeles, Estados Unidos), Lua Rasta, Toni Vargas, Paulão (cearense, mas morando na Hungria) e Boneco (RJ). Mestre Capixaba mudou-se para o Rio de Janeiro no final dos anos 70, onde conheceu Paulão e Boneco. 
 
A convivência foi intensa nos primeiros anos da década seguinte, quando treinavam todos na capital fluminense. O encontro deste ano reuniu novamente o três num mesmo lugar.
 
Além dos dois mestres, houve a formatura de quatro professores de corda marrom - Bala, Pit Bull (Alemanha), Fumacinha e Russo (ambos de Petrópolis-RJ) - e dois instrutores de corda roxa – Tapioca (Alemanha) e João de Barro (brasileiro que vive na Suíça). Foram formados ainda dois monitores da Colômbia, dois de Cariacica, um de Itaúnas e um de Belo Horizonte. 
 
O encontro recebeu apoio da Secretaria de Estado da Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Sérgio Borges (PMDB).
 
CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS
 
Infantil 
 
1º - Teco (Cariacica)
2° - Calango (Cariacica)
3° - Duda (Cariacica) 
 
Não-avançado (masculino)
 
1º - Chileninho (Cariacica)
2° - Tales (Cariacica)
3° - Lucas de Itaúnas (Itaúnas) 
 
Não-avançado (feminino)
 
1º - Baiana (Cariacica)
2° - Gata (Cariacica)
3° - Onze Horas (Cachoeiro de Itapemirim) 
 
Avançado
 
1º - Piu-Piu (Cachoeiro de Itapemirim)
2° - Jeniffer (Cariacica)
3° - Cris (Cariacica) 
 
Avançado-geral
 
1º - Jefinho (Cariacica)
2° - Bala (Madri/Espanha)
3° - Mikimba (Serra)

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