Terça, 09 Agosto 2022

Espetáculo capixaba que denuncia feminicídio negro é tema de livro

abajur_cor_de_carne_2_ph_bernardo_firme Ph Bernardo Firme

Artistas capixabas decidiram denunciar o feminicídio por meio da arte. O livro "Abajur Cor de Carne - Cartografia pela Dança" fala de uma apresentação artística homônima que combate também a violência de gênero, crescente no Espírito Santo.

O espetáculo de dança foi lançado em 2019 pelo coletivo Emaranhado e, no livro, os autores procuram abordar as estratégias utilizadas na apresentação para denunciar o feminicídio negro por meio da arte.
Ph Bernardo Firme
"A proposta deste livro - que atravessa a dança, a performance, o teatro, a música e a escrita - não é a de reafirmar as violências, mas de gritar contra elas, com a força e a coragem de quem se envolve numa luta que se faz presente a cada segundo em que uma mulher é ofendida, violentada, assediada, abusada e morta, entre tantas outras formas de violência dirigidas às mulheres e ao que é feminino", diz um trecho da obra.

A publicação do livro foi aprovada na Lei Aldir Blanc, dentro do Edital de Seleção de Projetos e Concessão de Prêmio "Cultura Digital" - Apoio à Produção de Conteúdos Digitais no Estado do Espírito Santo.

O livro também tenta suprir lacunas. O coletivo capixaba sentia falta de uma literatura que abordasse uma teoria e metodologia no campo da dança. "A gente tem um déficit de escrita com a memória da dança baseada na apresentação dos espetáculos. A ideia era construir um material que trouxesse isso", explica Maicom Souza, um dos autores do livro.

Desde 2016, o coletivo tinha ainda o interesse de produzir um material artístico que denunciasse o feminicídio crescente no Estado. "Todos os dias sai no jornal casos de feminicídio, só que outros segmentos também precisam abordar esse tema e produzir reflexões sobre isso", ressalta. 

Ph Bernardo Firme
Entre dança, canto e batuque, o objetivo do espetáculo era justamente provocar essas reflexões. As cenas tinham o intuito de denunciar as violências que, constantemente, violam os corpos das mulheres pretas. "A apresentação proporciona vários incômodos no telespectador, porque se a gente trata o assunto com muito romantismo, a reflexão acaba se perdendo", pontua.

Além de ser organizado e escrito pelo filósofo e produtor cultural Maicom Souza, o livro construído a partir do espetáculo teve parceria de Thaynah Bettini, Érica Ortolan, Ricardo Reis, Paloma Rigamonte, Elaine Vieira e todos artistas que participaram das apresentações.

Um dos capítulos chegou a ser reconhecido no Prêmio Balogun Abdias do Nascimento de Artigos e Pesquisas Científicas em Culturas e Religiões Afro-Brasileiras do Rio de Janeiro. 

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"Tanto o espetáculo quanto este livro são um trabalho de permanência: sua arte é cíclica, conversa com o público trocando dores e denúncias. Não termina em cena, perdura, perpassa o cotidiano, pois fala dele, trazendo-o, questionando-o, anunciando-o, de modo que não se possa mais temer a voz que grita, que luta", diz um outro trecho da obra.

O formato virtual do livro já está disponível para acesso online e a versão impressa foi lançada nesse sábado (3) em um evento realizado em frente ao Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória. 

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