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Sexta, 04 Dezembro 2020

​Leandro Bonfim lança sua primeira 'beat tape'

Leandro_bonfim_divulgacao Divulgação

A palavra rap vem do inglês Rythm And Poetry" (Ritmo e Poesia). Por trás das letras que fazem pensar e do MC que as interpreta, sempre há um beatmaker, aquele que prepara as batidas que vão dar o ritmo da canção. Um deles é Leandro Bonfim, compositor, multi-instrumentista, integrante do grupo Soltos & Prensados e produtor musical da Fusion Dub Records.

Ele lança nesta quinta-feira (18), nas diversas plataforma digitais, sua primeira beat tape, um disco de rap instrumental. Comum em outros países, o formato ainda é pouco difundido no Brasil - e menos ainda no Espírito Santo -, embora venha ganhando espaço nos últimos anos, ajudando a dar vazão e visibilidade ao trabalho dos beatmakers.

Trata-se de um trabalho de estúdio de Bonfim feito com base em samples de seus discos de vinis, ou seja, criando novos sons a partir da mixagem de outras faixas, numa espécie de reciclagem musical. "Tenho muitas músicas produzidas em que às vezes não cabem em voz, que não foram feitas para ter poesia, músicas mais voltadas para o lado instrumental mesmo", diz, destacando a influência do rap underground dos anos 90 no som que produz.

O disco vai sair aos poucos, com a publicação de uma faixa por mês, a cada dia 18, nas redes de Leandro Bonfim e do Fusion Dub. A primeira das cinco canções, que dá nome ao álbum, é In Front of Death, traduzível como De Frente com a Morte, e não à toa traz uma atmosfera tensa que remete ao terror, o que segundo Leandro Bonfim tampouco é casual, pois dialoga com a atual situação política e social do país. Mas ele conta que cada faixa que virá até outubro terá um espírito distinto, podendo ser mais leve e tranquila remetendo a um rolê de skate, que ele pratica, sintonizado com o clássico hip hop underground, ou com outras influências.

"Nesse processo é o sample que me direciona. O sample me leva e eu vou atrás dele", conta Leandro, que à música "reciclada", acrescenta elementos instrumentais compostos por ele mesmo em guitarra, baixo, bateria e sintetizadores, valendo-se de sua qualidade de multi-instrumentista.

Os beats por si só mostram que podem ter vida própria mesmo sem letras, seja como obras instrumentais ou como trilhas sonoras para games, vídeos de skate e esportes radicais ou outros usos que peça um foco no instrumental. "Com o instrumental é possível conversar com pessoas do mundo inteiro que gostam de coisas parecidas, que talvez consigam absorver melhor a sonoridade", considera o músico.

"Sou muito underground. Minha preocupação é a estética sonora", diz sobre o caráter experimental e desvinculado das preocupações mercadológicas. Enquanto produz e divulga seu trabalho, Leandro Bonfim também opera buscando articular os beatmakers que atuam no Espírito Santo, para que esse trabalho fundamental para a produção musical no rap também seja reconhecido e visibilizado como merece.

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