Terça, 09 Agosto 2022

​Marciel Cordeiro lança 'Essa coisa louca chamada amor'

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O amor é tema principal de tantas e tantas expressões artísticas, nas suas mais diversas linguagens. Porém, o que é o amor, como, quando, onde se define, pode variar imensamente. Se quem fala de amor é romântico, Marciel Cordeiro seria um dos menos convencionais. Isso está à prova no segundo livro de contos do escritor baiano radicado no Espírito Santo: Essa coisa louca chamada amor, publicado pela Editora Cousa e já disponível para pré-venda.

Embora escancare o tema em seu título, Marciel se esquiva do chamado "amor romântico". "Tentei escrever sobre o amor realista, sobre as relações que não deram certo, sobre aquele amor que partiu. Quando criamos um personagem há elementos que já foram concebidos antes, portanto há muitos pontos em comum entre os contos", destaca o autor, que ressalta questões políticas e culturais como algo muito forte e presente em seus personagens.

São 23 contos nas pouco mais de 100 páginas, curtos e errantes, no qual o autor imprime sua característica já apontada em Caminho para Texas, sua primeira obra, de 2019, também publicada pela Cousa.

Em primeira ou terceira pessoa, marcam os contos personagens geralmente "comuns" embora socialmente "desajustados", muitas vezes com a marca da escassez dos tempos em que vivemos, de desemprego e precarizações. Na inescapável tarefa da sobrevivência, encontram sentimentos e por vezes situações inusitadas, narradas com o recorrente humor soturno, que acompanha praticamente toda a obra, assim como os fins banais ou melancólicos, dos quais é adepto.

Marciel reconhece que embora o escritor geralmente busque fugir disso, o livro seguinte costuma trazer algo do anterior. "Nesse livro as coisas mudaram de lugar, o que antes era notado primeiro talvez agora tenha dado lugar para outros elementos. Mas são livros parecidos, os personagens caminham por cenários que se assemelham", confirma.

A relação com futebol e literatura, são constantes nas duas obras. "O jogador de futebol muda a forma de jogar com o passar dos anos, fica mais lento, encurta os caminhos, tenta não gastar muita energia e consegue enxergar o melhor. Acho que rola isso com o escritor também, né?", diz em mais uma metáfora segura para quem demonstra habilidade com bolas e letras.

Kelly Martins

Como bom jogador, na literatura ele também prefere atuar em casa, nos campos que já conhece, a saber: a Grande Vitória, onde mora há anos, e o sul da Bahia, onde nasceu e viveu até os 18 anos na zona rural de Rancho Queimado, tendo trabalhado com agricultura, pecuária e lenha antes de se jogar na estrada em busca do sonho não realizado de ter uma sólida carreira como jogador de futebol.

Em Essa coisa louca chamada amor, apesar da maioria dos contos terem uma localização geográfica específica, os lugares sociais por que os texto transitam se distanciam da dita "normalidade" hegemônica. As história se passam desde o quarto em que se trepa seguidamente - ou onde nada acontece - ao posto clandestino de gasolina na beira da estrada - há um grande interesse do autor pelo transitar -, passando por botecos, feiras, prostíbulos, por uma mansão desconfortável para um homem negro periférico ou por praias confortáveis para fumar um "beck" ou transar a três numa barraca de camping.

"Podemos dizer que é um livro sobre amor, solidão, sonhos, buscas, gols perdidos, o grande jogo da vida", diz Paulo Bono, que assina a orelha da obra, que conta também com ilustração de Rodrigo Borges.

Para quem gosta do esporte mais popular do Brasil, podemos recordar que um dos gols mais lembrados de Pelé é justamente um dos que ele não fez. Dentre os mais de mil anotados, poucos tem a fama do chute de meia cancha que pegou o goleiro da Tchecoeslováquia desprevenido na Copa do Mundo de 1970, mas que por pouco não entrou no gol.

No amor, como no futebol, são muitos mais chutes errados do que os que dormem serenos no fundo das redes. É preciso lembrar também daqueles. Há algo de tristeza e beleza naquilo que não saiu como o esperado.

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