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Oficinas apresentam o congo capixaba para crianças e jovens em Vitória

Atividades serão na Grande São Pedro e no Espaço Thelema, Centro de Vitória

Ao longo do mês de janeiro, em meio à férias escolares, duas oficinas gratuitas apresentarão o saber tradicional do congo capixaba em diferentes territórios de Vitória. Uma oficina integra o projeto “Mulembá: raízes da cultura afro-brasileira”, promovido pelo coletivo Zacimba Educa, na Grande São Pedro. A outra será realizada no Espaço Thelema, Centro de Vitória, pelo Circuito Avessinho. Ambas unem ancestralidade, formação sociocultural e valorização da cultura afroindígena-brasileira para crianças.

Na Grande São Pedro a oficina será ministrada por Ailton Paiva e acontecerá nas próximas quarta-feira (14) e segunda-feira (19), sempre às 14h, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo (SFCV) de Nova Palestina. Para participar, não é preciso fazer inscrição prévia. A faixa etária do público-alvo é de 10 a 29 anos. Ailton é estudante do curso de Música da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pandeirista, cuiqueiro e percussionista. Faz parte da Banda de Congo Amores da Lua, é percussionista brincante do Grupo Folclórico Boi Graúna da Serra e Ritmista da escola de samba Pega no Samba e da Associação Cultural Coisa de Negres.

A ação do Circuito Avessinho será no dia 25 de janeiro, das 15h às 17h, com João Ifakorede. As inscrições, voltadas para crianças de seis a 12 anos, são gratuitas e podem ser feitas pelo link. João é contramestre de congo, educador e coordenador do Coletivo Zacimba Educa. Seu trabalho, por meio de oficinas e projetos educativos, é voltado para a valorização das culturas afro-brasileira e indígena, preservação dos saberes tradicionais, protagonismo infantil e juvenil e o fortalecimento da identidade capixaba por meio da música, oralidade e convivência comunitária.

O Circuito Avessinho é um projeto infantil do Cineclube Avesso e busca garantir o direito das infâncias à cultura e ao lazer. O Zacimba Educa é uma organização comunitária formada por moradores do bairro da Conquista, na Grande São Pedro, e por pessoas voluntárias de diferentes regiões do Espírito Santo. Desde 2021, o coletivo desenvolve ações voltadas à arte, cultura e esporte como ferramentas de fortalecimento comunitário, com foco especial no empoderamento de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias.

Divulgação

Assim como a oficina do coletivo Zacimba Educa, a realizada pelo Circuito Avessinho faz referência à Mulembá, pois se chama “Mulembá: raízes da cultura afro-brasileira”, mesmo nome do projeto que acontecerá em São Pedro. João Ifakorede, que atua no projeto de São Pedro como um dos organizadores e no do Centro como oficineiro, relata que “Mulembá” é uma árvore presente em regiões africanas como Angola e Cabinda, sendo tradicionalmente associada aos espaços de decisão dos reinos e à transmissão de saberes entre os mais velhos e os mais novos. “Não era só um local de decisão, mas também um lugar onde os mais velhos transmitiam conhecimentos e tradições. Como é uma árvore grande, toda a comunidade se reúne à sua sombra”, afirma.

A escolha do nome reflete a essência das oficinas, que buscam criar um espaço coletivo de aprendizado, escuta e troca. Entre outros objetivos, João destaca que ambas têm o propósito de aproximar o público da cultura do congo, muitas vezes pouco conhecida até mesmo por capixabas. “Muita gente conhece pouco a história do congo. Tem pessoas que têm casaca ou tambor em casa e não sabem tocar. Hoje é difícil ter oferta de oficinas de congo no estado. As bandas, muitas vezes, são fechadas, o que acaba afastando as pessoas da cultura”, avalia.

As iniciativas também respondem a uma preocupação com a continuidade da tradição. Ele destaca que muitos mestres e congueiros mais velhos estão falecendo, sem que haja uma renovação suficiente nos grupos. “A intenção é aproximar principalmente crianças, jovens e adolescentes para formar futuros congueiros e fortalecer os grupos de congo já existentes. A gente está perdendo muitos congueiros e não vê novos integrantes chegando”, afirma.

A curadora do Circuito Avessinho, Josilene Nery reforça que a oficina de congo para crianças cumpre um papel fundamental na formação identitária. “A ideia é que desde cedo a criança tenha noção de onde vem o congo, de como isso constrói a identidade de um povo. A gente precisa saber de onde vem para saber quem é”, ressalta.

Ela acrescenta que a atividade apresenta de forma lúdica e dinâmica os elementos da tradição, como vestimentas, instrumentos, toadas e personagens do congo, possibilitando que as crianças reconheçam essa manifestação cultural quando a encontrarem em outros espaços. “É uma ação cultural que apresenta a diversidade do congo de forma orgânica, através da musicalidade, das histórias e das práticas que vêm do povo”, destaca.

Arquivo pessoal

Josilene também chama atenção para a importância dessas iniciativas fora do ambiente escolar. “Mesmo com leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afroindígena-brasileira, muitas vezes isso não acontece de forma adequada na escola. Por isso, aprender na rua, no bairro, nesses espaços comunitários, é tão importante e muitas vezes mais orgânico para crianças e adolescentes”, afirma.

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