Mais: coral Guarani; Saulo Ribeiro em Moçambique; e peças teatrais em Itapemirim
No dia 16 de dezembro, o Transvê Poesias estreia o espetáculo teatral A velha sem gogó, no Centro Cultural Nice Avanza, em Linhares, norte do Espírito Santo. As sessões, gratuitas, serão realizadas às 19h e 20h. Os ingressos podem ser retirados neste link. A peça é baseada na obra de Lourdes Ramalho, dramaturga paraibana autora de mais de 100 peças teatrais. As apresentações, que duram 40 minutos cada, contarão com intérprete de libras.

A peça reúne elementos da mitologia popular brasileira, cordéis do pernambucano Severino Milanês; a obra da poeta potiguar Auta de Zousa, da segunda geração do Romantismo no Brasil; trilhas do grupo de música instrumental pernambucano Quinteto Armorial, criado na década de 1970 na cidade de Recife; e direção de Anderson Valfré. O espetáculo apresenta personagens do universo nordestino, num encontro entre fantasia, humor, memória e ancestralidade.
Processo formativo
O espetáculo é resultado de aulas de teatro oferecidas a jovens de 11 a 15 anos do bairro Rio Quartel, em Linhares, em que vivenciaram temas como improviso, consciência corporal e vocal, interpretação de texto e iluminação. O curso foi realizado em parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Ângelo Recla, o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e a Associação de Moradores e Produtores de Rio Quartel (Ampriq). “O teatro abre portas que a realidade às vezes fecha. Quando oferecemos arte, oferecemos também um lugar de escuta, autonomia e expressão. Os jovens do Rio Quartel carregam potências que encontraram espaço para florescer”, diz o diretor e coordenador do projeto, Anderson Valfré.
Coral Guarani
Está disponível em plataformas como YouTube e Spotify o Djagwata Porã, primeiro álbum do Coral Guarani Tape Retxakã, da aldeia Ka’agwy Porã (Nova Esperança), em Aracruz, norte do Espírito Santo. O álbum reúne 12 composições autorais em guarani assinadas por Edmilson Karaí e Patricia Takuá, além de uma faixa final criada por Werá Djekupé (Marcelo Guarani). Djagwata Porã, que significa caminhada sagrada, expressa o percurso de aprendizado, cura e conexão com o bem e com o amor.
Composição

O Tape Retxakã é formado por 20 integrantes, todos parentes entre si, e tem como liderança o casal Edmilson Karaí e Patricia Takuá. Além do canto, possui instrumentos tradicionais como mbaraka mirim (chocalho), angu’á pu (tambor) e takua pu (instrumento percussivo de bambu tocado pelas mulheres), rabeca e violão com cinco cordas, afinados de acordo com as tradições e a espiritualidade Guarani.
Prática cultural
“O coral é uma prática que é da nossa cultura. Toda noite temos o costume de juntar crianças e adultos na casa de reza e ter momentos assim, para nós mesmos. E quando vêm visitas na aldeia, também tem essa função de mostrar a musicalidade do povo Guarani. Quando somos convidados, também costumamos ir em escolas, universidades, espaços culturais, levando também o nome da aldeia e a cultura, música e língua Guarani”, diz Edmilson Karaí.
Moçambique
O escritor Saulo Ribeiro comemora a seleção de seu livro, Os incontestáveis, no edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior 2025, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), que possibilita às editoras a tradução e publicação de obras de autores brasileiros anteriormente publicadas em português no Brasil. Por meio dessa iniciativa, Saulo vai lançar sua obra em Moçambique, por meio da Massinhane Edições, em 2026.
Seleção
O espetáculo Célula, de dança contemporânea, está com cinco vagas abertas para composição do corpo cênico (intérpretes-criadores) e uma para atuar como auxiliar de direção. Os selecionados para as vagas de intérprete receberão um cachê de R$ 3 mil. O auxiliar de direção, R$ 2 mil. As inscrições podem ser feitas até 15 de dezembro neste link. Célula é um espetáculo de dança contemporânea que investiga o corpo em colapso e regeneração, trazendo a reflexão de que em um mundo onde as pessoas nascem moldadas e crescem tentando se encaixar, a busca pelo que é essencial torna-se uma batalha contra a sociedade, mas também contra si mesmo.
Seleção II
Para se inscrever não é preciso ter formação prévia em dança, sendo importante disponibilidade, curiosidade e abertura para o processo coletivo. Como forma de valorizar a diversidade e a inclusão, serão priorizadas pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, gordas, com deficiência e as que têm mais de 45 anos. Os selecionados participarão de formações e encontros de criação do projeto, voltado à investigação de práticas anticoloniais nas artes da cena.
Festival em Itapemirim

Entre os dias 18 e 21 de dezembro, acontecerá o Festival Beira-Mar de Teatro, em uma tenda montada em Itaoca, balneário de Itapemirim, cidade do litoral sul do Espírito Santo. A programação, gratuita, tem produção do grupo teatral Boyásha e contará com espetáculos teatrais, contações de histórias, oficinas artísticas, debates, roda de capoeira e feira de adoção de animais. Haverá apresentações de artistas de diferentes cidades do Espírito Santo e de outros estados.
Espetáculos de fora
Um dos destaques da programação é o espetáculo De Tempos Somos – um Sarau do Grupo Galpão, do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Reunindo canções, poesia e festa, apresenta 25 músicas do repertório do grupo – de montagens antigas até trabalhos recentes -, além de textos sobre a passagem do tempo e o processo de criação artística. Também de fora do Espírito Santo, o Circo Dux, do Rio de Janeiro (RJ), vai marcar presença com o seu Mix Dux, uma miscelânea de seus melhores números teatrais em mais de 18 anos de pesquisa cênica.
Espírito Santo
Entre as atrações capixabas está o Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira, de Guaçuí, que vai encenar A Lenda de um Homem sem Nome, espetáculo sobre um homem sovina e interesseiro que oculta um passado misterioso com forças sobrenaturais. A Imprópria Trupe, da Serra, colocará em cena O Menino do Dedo Verde, peça sobre um garoto de oito anos que descobre que possui um polegar verde com poderes especiais. A Cia Nós de Teatro, de Cachoeiro de Itapemirim, apresentará Um Cesto de Histórias, sessão de narrativas inspiradas em lendas do folclore brasileiro. O Ato Falho Coletivo, de Vila Velha, vai apresentar Se Nós Fôssemos Peixes, sobre um cardume que arma uma espécie de motim contra o Sr. Barão no fundo do mar.
Solo
Também haverá duas apresentações de artistas solo. Gab Kruger, de Guarapari, vai encenar Giros, espetáculo sobre uma carismática artista itinerante que viaja de cidade em cidade montando seu acampamento para contar suas histórias. Já Chris Estéticah, de Vitória, se apresentará com a performance Não Recomendada, sobre corpos que não se enquadram nos padrões ditos “normais”.
Até a próxima coluna!
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