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Quarta, 03 Março 2021

Uma 'invasão literária' no morro da Piedade

Criancas_Foto_Selma_Souza_voz_da_comunidade Selma Souza/ Voz da Comunidade

Uma invasão, só que de livros. Essa é a proposta que surgiu de um grupo de ativistas para a comunidade da Piedade, morro localizado no entorno do Centro de Vitória que nos últimos anos tem vivido uma difícil situação de violência. Diante da tradicional distribuição de presentes para as crianças que ocorre na festa de natal do bairro, veio a ideia de pedir doações de livros, mas não de qualquer um. "Estamos recolhendo doações de livros infantis ligados à questão do empoderamento, da negritude, do poder feminino", diz a psicóloga Luizane Guedes, idealizadora da proposta.

A inspiração para a "invasão literária" veio do coletivo Voz da Comunidade, do Rio de Janeiro, que realizou no último dia 28 de novembro a distribuição de obras infantis nos complexos da Penha e do Alemão, ironizando o grande operativo policial ocorrido há 10 anos para instalação das chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Luizane ligou esta ideia ao convite que havia recebido para as festividades de natal e distribuição de presentes.

Assim, junto com a assistente social Michelle Kennedy Torrente e a psicóloga Aline Lopes de Sousa, eles tentam dar conta da campanha que começou numa simples publicação no Instagram e começou a receber doações de vários lugares do Brasil. Alguns compram e enviam os livros indicados e outros doam em dinheiro para que a equipe compre o material, que vai ser distribuído às crianças da Piedade no dia 20 de dezembro. A meta inicial para o evento na Piedade era conseguir 60 livros doados, mas a equipe já contabiliza a arrecadação de 200 obras, e outras continuam chegando.

Entre eles estão Malala, a menina que queria ir à escola, de Adriana Carranca, Amora, de Emicida, Meninas Negras, de Madu Costa, O Pequeno Príncipe Preto, de Rodrigo França, e Zacimba Gaba e Mirandinha, da escritora capixaba Noelia Miranda.

A proposta é também tentar mobilizar na comunidade propostas e projetos de incentivo à leitura. Luizane lamenta que, nos últimos anos, vários jovens negros perderam a vida na Piedade e nos morros do entorno, muitos deles sem ter qualquer envolvimento com o crime, ainda que mesmo que tenham, nenhuma dessas mortes é justa. "Nossa luta é para que não morra ninguém", diz a psicóloga, que é pós-doutora na sua área e trabalhou por oito anos no atendimento dos serviços públicos na região.

"É uma comunidade riquíssima, com muitas lideranças comunitárias que possuem envolvimento com causas sociais, já foi palco de grandes questões ligadas ao samba e à cultura", ressalta com entusiasmo. "A Piedade tem sido resumida à questão da violência, mas ela é muito mais do que isso. Temos que apontar a potência e não a violência, mostrar as possibilidades de vida e não de morte, e pensar a literatura enquanto potência e vida", explica Luizane Guedes.

Doações

Para doações deve ser feito contato pelo Instagram. https://www.instagram.com/luizane_guedes/

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