Realizada em Cachoeiro, tradição cultural popular acontece no mês de janeiro
A comunidade de Jacu, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do estado, está realizando os festejos de sua tradicional Charola de São Sebastião, uma manifestação cultural popular. O evento acontece há mais de 70 anos e trata-se, hoje, da única charola existente no Espírito Santo. As celebrações tiveram início nessa terça-feira (6), Dia de Reis, e seguem até o próximo dia 20, sendo que o ponto alto será uma festa no dia 18.

O coordenador da Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense, Genildo Coelho, explica que a charola se assemelha à Folia de Reis, e o nome significa “procissão”. Por meio dela, é narrada a vida e o martírio de São Sebastião. O grupo é composto por pessoas da família Quirino, entre elas, homens que tocam os instrumentos, cantores, bandeireira e dançarinas, que peregrinam pelas comunidades da região. No dia 18, a festa, que é aberta ao público, começará às 6h e terminará à noite. Nela, também ocorre tradicionalmente apresentação do grupo de bate flechas de São Sebastião, que recebe diversos outros grupos de bate flechas da região.
Genildo afirma que são mais de 30 grupos. De acordo com ele, cada grupo solta fogos para anunciar sua chegada, é recebido pelo grupo local, é feita a troca de bandeiras entre eles e os visitantes vão à casa de oração fazer a benção. Às 14h, ocorrerá a entrega da charola. O grupo de charola toca as músicas e os instrumentos vão parando de tocar um de cada vez, sendo entregue no altar como agradecimento.
O evento também conta com almoço gratuito. Após a entrega da charola, cada grupo de bate flecha se despede, sendo feito o mesmo ritual da chegada, mas dessa vez sendo acompanhados pelo grupo local até o ponto de saída.
Nos dias anteriores e posteriores ao dia 18, acontece, das 6h às 18h, uma peregrinação da Charola, que vai de casa em casa cantando a história de São Sebastião. “É uma festa única, o que restou das charolas no Espírito Santo. É um folguedo que está acabando. O poder público precisa preservar essa e tantas outras festas tradicionais”, diz Genildo, que aponta que uma das propostas é entrar com um processo pelo reconhecimento da festa como patrimônio imaterial do Espírito Santo.
A Charola é tema de um livro disponível para download no site da Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense. A obra chama-se As Flechas de São Sebastião. Genildo, responsável pela pesquisa que deu origem ao livro, não é seu único autor. Juntos com ele nessa empreitada estão Rosângela Venturi Barros, que o escreveu, e Luan Faitanin Volpato, fotógrafo.
Genildo relata que o livro é uma das iniciativas que a associação tem feito nas últimas duas décadas para “difundir e fortalecer a cultura imaterial de Cachoeiro”. A Charola de São Sebastião já foi destaque em outras atividades da entidade, como em dois CDs de toadas e no documentário Filhos da Fé, disponível no YouTube. Também foi tema de um livro infantil, que abordou a Charola, mas não especificamente a de Cachoeiro.

