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Segunda, 02 Agosto 2021

'A Fetaes deu voz ao machismo e votou pela invisibilidade das mulheres'

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O Conselho Deliberativo da Federação dos Trabalhadores, Agricultores e Agricultoras Familiares do Espírito Santo (Fetaes) pôs fim à Secretaria de Mulheres em reunião realizada nessa terça-feira (20). A medida, segundo a então titular da pasta, Augusta Búffolo, está entre as alterações feitas no estatuto da entidade. "A Fetaes deu voz ao machismo e votou pela invisibilidade das mulheres", protesta.

O argumento para a extinção da secretaria, relata, foi o fato de a paridade entre homens e mulheres ter sido aprovada no ano passado, passando a valer para a próxima gestão, que começa em 2022. Por isso, o Conselho Deliberativo decidiu que, para garanti-la, teria que reduzir o número de cargos de sete para seis, possibilitando, então, três homens e três mulheres na diretoria. Assim, foi extinta a secretaria.

"A paridade é importante, é um avanço, mas ela por si só não resolve. Tem que dar visibilidade à luta das mulheres do campo, das águas e das florestas. Perdemos um espaço integrado à diretoria, um espaço que tem visibilidade, autonomia, que nos dá poder de voz e fala. Agora não teremos mais orçamento próprio para ações específicas. Seremos apêndice de outras secretarias", afirma Augusta.

Ela aponta que, por meio da secretaria, é possível, por exemplo, discutir processos formativos para que as agricultoras possam ocupar espaços de poder e decisão, como o movimento sindical e o legislativo. "Com a decisão do último dia 20, a luta das mulheres sai enfraquecida, mas a perda momentânea de uma conquista não nos calará. Continuamos na luta", destaca Augusta.

A agricultora recorda que a Fetaes é de 1968. Entretanto, somente em 1995 uma mulher ingressou na entidade, mas não como diretora, e sim, em uma coordenação vinculada à Secretaria de Formação. Em 1998 uma trabalhadora passou a compor a executiva, na Secretaria de Políticas Sociais. No ano de 2013 foi criada a Secretaria de Mulheres e da Terceira Idade. Quatro anos depois, em 2017, ela passou a ser somente Secretaria de Mulheres.

Augusta atribui o ingresso tardio das trabalhadoras na estrutura da Fetaes ao fato de que somente em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, as mulheres foram reconhecidas como trabalhadoras rurais. A partir daí, relata, passaram, por exemplo, a poder se sindicalizar e ter acesso a crédito rural. Porém, ainda hoje as mulheres passam pelo desafio de serem reconhecidas como pessoas que produzem.

"A sociedade enxerga o trabalho da agricultora como uma ajuda ao do homem, mas a mulher trabalha, produz, contribui com a renda da família", destaca.


A Fetaes informa, em seu site institucional, que representa cerca de 500 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais do Espírito Santo, 
organizada em 54 sindicatos filiados e 19 extensões de base. 

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Comentários: 3

Izaura Schafelem tech em Sexta, 23 Abril 2021 15:58

Eu concordo plenamente

Eu concordo plenamente
Nunes em Sexta, 23 Abril 2021 22:00

Não foi um Conselho de última hora, algo feito na Calada.
Foi uma decisão acertada por toda Executiva da Federação e todos os mais de 60 Sindicatos do Estado do Espírito Santo.
Augusta a frente da Secretária Buscou inumeras lutas Para as Mulheres Agricultoras Familiares Capixabas.
Porem, é hora de conciliar novos acordos.
Evitar essa Politicagem é a melhor alternativa no momento.
Foram debatidos em comissões, reuniões virtuais com as regionais do Estado. E de consenso de todos foran aprovados as Alterações no Estatuto da Federação.
É hora de dar lugar para novas Mulheres que assim como Augusta, que por vários e vários anos contribuí para que as mulheres se empoderem seja no Campo onde trabalha, seja na Politica onde se obtem Conquistas.

Não foi um Conselho de última hora, algo feito na Calada. Foi uma decisão acertada por toda Executiva da Federação e todos os mais de 60 Sindicatos do Estado do Espírito Santo. Augusta a frente da Secretária Buscou inumeras lutas Para as Mulheres Agricultoras Familiares Capixabas. Porem, é hora de conciliar novos acordos. Evitar essa Politicagem é a melhor alternativa no momento. Foram debatidos em comissões, reuniões virtuais com as regionais do Estado. E de consenso de todos foran aprovados as Alterações no Estatuto da Federação. É hora de dar lugar para novas Mulheres que assim como Augusta, que por vários e vários anos contribuí para que as mulheres se empoderem seja no Campo onde trabalha, seja na Politica onde se obtem Conquistas.
Márcio Souza em Sábado, 24 Abril 2021 10:05

Lamentável a postura da diretoria em tomar tal atitude. Em um momento em que vemos um governo federal reafirmar a postura de exclusão das mulheres, uma entidade representativa dos trabalhadores/as, suprimir uma pasta que sim é de suma representatividade para as companheiras camponesas não cabe explicação plausível.
Os movimentos sindicais e sociais infelizmente tem sido engessado por velhos dinossauros.

Lamentável a postura da diretoria em tomar tal atitude. Em um momento em que vemos um governo federal reafirmar a postura de exclusão das mulheres, uma entidade representativa dos trabalhadores/as, suprimir uma pasta que sim é de suma representatividade para as companheiras camponesas não cabe explicação plausível. Os movimentos sindicais e sociais infelizmente tem sido engessado por velhos dinossauros.
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Segunda, 02 Agosto 2021

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