Categorias não aceitam reajuste salarial de 4% e aprovam indicativo de greve

Os servidores públicos do Espírito Santo voltaram às ruas nesta quarta-feira (28), em Vitória, para cobrar do governo estadual a reestruturação das carreiras do Executivo. O ato ocorreu após a rejeição quase unânime à contraproposta do governo de Renato Casagrande (PSB) de reajuste salarial de apenas 4%.
O protesto saiu da Praça Costa Pereira em direção ao Palácio da Fonte Grande, sede administrativa do governo estadual, no Centro, e uma Assembleia Geral Unificada (AGU) também foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos). Trabalhadores de diferentes regiões do Estado, incluindo do interior, participaram da atividade, que teve como objetivo definir os próximos encaminhamentos e pressionar o governo a reabrir as negociações.
O dirigente sindical Iran Milanez afirma que a mobilização marca a retomada de uma jornada de lutas iniciada após a rejeição da proposta governamental, apresentada no último dia 12. Segundo ele, a categoria considera o índice oferecido insuficiente e decidiu intensificar as ações no mês de fevereiro, além de marcar presença em agendas públicas do governador, para tornar visível a insatisfação da categoria. A assembleia aprovou também um indicativo de retomada do processo de greve, caso o governo não apresente uma nova proposta considerada aceitável pelos trabalhadores.
Para a categoria, o índice de 4% é considerado insuficiente diante das perdas acumuladas ao longo dos anos e distante da proposta defendida pelo sindicato, que prevê a recuperação de 35% das perdas salariais e a correção das distorções entre os níveis de carreira. Além disso, mantém uma estrutura de carreira considerada defasada e desestimulante.
Outro ponto criticado é a exclusão dos agentes de Suporte Educacional (ASEs) do processo de reestruturação. O sindicato destaca que esses profissionais desempenham papel essencial no funcionamento das escolas da rede estadual e que sua retirada do debate aprofunda a desigualdade dentro do serviço público. Também é reivindicada a inclusão da carreira de técnico de Suporte em Desenvolvimento Rural, extinta em 2023, e que ficou de fora da proposta de reestruturação apresentada em 2024.
Durante a última assembleia, no dia 15 deste mês, servidores manifestaram indignação com o que classificam como tratamento desigual por parte do governo. A categoria questiona o fato de outras carreiras do funcionalismo terem recebido percentuais de reajuste superiores, mesmo com níveis de formação semelhantes e salários já mais elevados.
O Sindipúblicos protocolou um ofício no governo estadual comunicando formalmente a rejeição da proposta de reajuste e solicitando sua reconsideração. No documento, pede o envio de uma nova proposta para que as negociações possam ser retomadas e uma audiência com Casagrande. “Até o momento, não tivemos nenhuma resposta do governo. Depois do dia 15, não houve nenhum avanço, e é por isso que vamos intensificar o processo de mobilização”, reforçou Iran.

