Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Moradia”

Em preparação para a Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”, a Arquidiocese de Vitória identificou 71 mil pessoas sem casa própria em sua área de atuação. O levantamento alcançou os municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão e Guarapai, na região metropolitana; Anchieta e Brejetuba, no sul; e Alfredo Chaves, Marechal Floriano, Domingos Martins, Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá, na região serrana.
Ainda segundo o levantamento, há 26 mil pessoas em moradias precárias, como as que abrigam muitas pessoas em um espaço demasiadamente pequeno. Os dados foram obtidos por meio do Cadastro Único (CadÚnico). João José Barbosa Sana, um dos integrantes da coordenação da campanha, aponta que os números devem ser mais altos já que muitas pessoas que não têm moradia não estão cadastradas no CadÚnico.
João José afirma que a Campanha da Fraternidade deste ano defende que a dignidade deve ser concretizada por meio do direito à moradia. Ele recorda que, em 2025, o tema da campanha foi “A Casa Comum”, ou seja, o planeta. Este ano, é a casa de cada um, que não é dissociada da “Casa Comum”, pois trata de um conjunto, que precisa de políticas como as de saneamento básico e acessibilidade.
Giovani Lívio, que também integra a coordenação da campanha da Fraternidade, aponta a falta de políticas de moradia nas prefeituras da área abrangida pela Arquidiocese de Vitória. Ele rememora que, em 2025, nem a gestão do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), nem do governador Renato Casagrande (PSB) garantiram moradia para as pessoas que habitavam a ocupação Vila Esperança, em Jabaeté, Vila Velha.

Os moradores foram despejados da ocupação após ordem de reintegração de posse assinada pelo juiz Manoel Cruz Doval, da 6ª Vara Cível de Vila Velha, cumprida em setembro. Antes disso, cerca de 80 moradores da comunidade Vila Esperança montaram acampamento em frente ao Palácio Anchieta, em Vitória, onde permaneceram por quase um mês, cobrando uma solução para o destino das famílias. O grupo foi impedido de continuar no local por decisão do juiz Carlos Magno Moulin Lima, que determinou a remoção do acampamento para que se cumprisse mandado de manutenção de posse. Hoje as famílias estão em Ponta da Fruta, em um condomínio abandonado.
O integrante da Pastoral do Povo de Rua, Júlio César Pagotto, salienta que o tema da Campanha da Fraternidade dialoga com realidade das pessoas em situação de rua. De acordo com ele, o Espírito Santo, assim como a maior parte do país, está no contexto da falta de políticas para esse grupo. A pastoral defende uma política chamada Moradia Primeiro. Por meio dela, garante-se primeiro a moradia e, em paralelo, trabalha-se outras políticas.
“Moradia tem que ser a primeira etapa. Se a pessoa precisa de um tratamento de saúde, como vai fazer, se não tem uma casa? Se precisa de emprego, como vai trabalhar, se não tem um lugar para dormir tranquilamente durante a noite? Aqui, mal mal temos casa por último, quanto mais casa primeiro”, critica.
A abertura da Campanha da Fraternidade será no dia 22 de fevereiro, às 15h, no ginásio Dom Bosco, em Vitória.

