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Terça, 02 Março 2021

Arquidiocese de Vitória lança campanha contra a fome no próximo domingo

pe_kelder_CreditosFranciscanos Foto: Franciscanos

Chegou a Quarta-Feira de Cinzas, data em que, na Igreja Católica, tem início a quaresma. Com ela, começa também a Campanha da Fraternidade, cujo tema este ano é "Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor". Além abertura regional da tradicional campanha, o próximo domingo (21) será marcado pelo lançamento oficial da Campanha Permanente Contra a Fome e Pela Inclusão Social, realizada pelo Vicariato para Ação Social Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vicariato, coordenado pelo padre Kelder Brandão.

O lançamento das duas campanhas será na Igreja Presbiteriana Unida, na rua Sete de Setembro, no Centro de Vitória, a partir das 15h. Haverá transmissão ao vivo pelo YouTube da Arquidiocese de Vitória e do Convento da Penha. 

A Campanha Permanente Contra a Fome e Pela Inclusão Social começou a ser articulada em 2020, antes mesmo da pandemia da Covid-19. O ano passado foi marcado por formações e reuniões com as áreas pastorais da Arquidiocese para elencar as atividades de combate à fome já existentes. Este ano, é hora de potencializar essas atividades e estimular o surgimento de outras que tenham o mesmo objetivo.

Segundo um dos integrantes da coordenação da Campanha Permanente Contra a Fome e Pela Inclusão Social, Milson Simonetti, a iniciativa também busca promover reflexão sobre as causas da fome e como combatê-la de forma eficaz, indo além da prática caritativa. "Temos que nos comprometer a ajudar as pessoas a recuperar a dignidade e contribuir para que se supere as causas da fome", diz.

Milton afirma que a Arquidiocese de Vitória "está de braços abertos para quem quer contribuir com a campanha de combate à fome", englobando outras religiões e a sociedade civil organizada, por exemplo. Algumas das atividades que extrapolam o território da Igreja Católica e que estão entre as ações previstas pela iniciativa estão a mobilização pelo retorno dos restaurantes populares e pela criação e fortalecimento dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional.

Superação da polarização e das divisões

Como a cada cinco anos a Campanha da Fraternidade é ecumênica, este ano ela não é organizada somente pela Igreja Católica Apostólica Romana, mas também com as demais que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic): Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Siriana Ortodoxa de Antioquia. Esta última não existe no Espírito Santo.

Para o padre Kelder Brandão, a Campanha da Fraternidade de 2021 é um convite à sociedade para que se una e supere qualquer tipo de polarização e divisão. Ele destaca que lideranças políticas sérias, cientistas comprometidos, formadores de opinião coerentes são desqualificados por falta de fraternidade e diálogo. O sacerdote, recorda, ainda, que a quaresma de 2021, assim como parte da de 2020, ainda será marcada pelas consequências da pandemia.

"É desolador pensar que em apenas no nosso pequeno estado do Espírito Santo a Covid-19 ceifou mais de seis mil vidas", ressalta.

A presbítera da Igreja Presbiteriana Unida do Ibes, em Vila Velha, e vice-presidente nacional do Conic, Anita Torres, afirma que a pandemia da Covid-19 evidenciou no Espírito Santo e no restante do Brasil uma realidade social ignorada por muitos, havendo necessidade de diálogo com o poder público, que não tem correspondido a essa necessidade.

Ela destaca que, nas comunidades periféricas da Grande Vitória, por exemplo, o que se viu foi campanhas de doação para ajudar os inúmeros desempregados e trabalhadores informais impossibilitados de trabalhar devido à pandemia. Entretanto, destaca a presbítera, "é preciso se movimentar para ajudar quem está sem direitos, mas esses mesmos sem direito, que saíram da invisibilidade, têm que ser público alvo de políticas públicas, sendo esse um dos compromissos que devem ser assumidos pela sociedade capixaba por meio da Campanha da Fraternidade".

Para além do combate à fome

O coordenador da Comissão de Promoção da Dignidade da Pessoa Humana, João José Barbosa Sana, afirma que, na realidade capixaba, a Campanha da Fraternidade é um convite para a realização de gestos concretos. Além do engajamento no combate à fome, ele destaca a necessidade de lutar pela garantia do direito da população de rua, pelo fim da violência nas periferias e da violência contra a mulher.

"É fundamental dialogar com uma série de realidades. A violência contra a mulher é gritante no nosso Estado. Temos também que buscar plenas condições de saúde para toda a população, dialogar com a comunidade LGBT, que também é alvo de muita violência no Espírito Santo; com as comunidades periféricas, com a população de rua, se engajar na garantia do acesso à educação. Cristo veio para anunciar vida em abundância para todas as pessoas", afirma João José.

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