Quinta, 07 Julho 2022

Campanha se manifesta contra mercantilização da educação

cf_2022_cartaz Divulgação

Centenas de pessoas participaram nesse domingo (6) do lançamento da Campanha da Fraternidade no Espírito Santo. Evento tradicional impulsionado pela Igreja Católica e movimentos sociais no período da quaresma, a campanha deste ano traz como tema a educação e como lema "Fala com sabedoria, ensina com amor", frase extraída do livro bíblico de Provérbios.

O ato se concentrou em Camburi, em Vitória, e foi até a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contando com presença das maiores autoridades católicas no Espírito Santo, o arcebispo Dom Dario Campos e o recém-nomeado bispo auxiliar Don Andherson Franklin Lustoza. Padre Kelder Brandão, responsável pelo Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica, avaliou o lançamento como positivo. Apesar dos desafios por conta do calor intenso e da necessidade de manter os protocolos sanitários, o ato conseguiu, em sua opinião, somar um número satisfatório de pessoas. 

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"Foi uma atividade com conteúdo orativo, celebrativo, mas muito consistente nas proposições, a partir do Pacto Educativo Global lançado pelo Papa Francisco e do que a igreja entende como um processo educativo global e inclusivo, para além da perspectiva e metodologia mercadológicas", afirmou padre Kelder.

Com carro de som, faixas, bandeiras, discursos e canções, o ato também teve paradas em pontos estratégicos, como as comunidades católicas de Divino Espírito Santo e Santa Clara, em Jardim da Penha, abordando temas como a evasão escolar, que aumentou na pandemia e prejudica especialmente as pessoas mais pobres, e também a questão da luta de estudantes com necessidades especiais e de seus responsáveis por uma educação inclusiva.

A ação culminou na escadaria do Teatro Universitário, dentro da Ufes, vista como um símbolo da qualidade de ensino público, que vem sofrendo com ataques e cortes do governo federal.

Manifesto

Durante o ato foi lido e divulgado um manifesto estadual da campanha, que é realizada em todo país. "Em um contexto político e econômico sem precedentes, dilacerados por uma pandemia letal, em que se aprofundam a pobreza e os processos de exclusão educacional, os que têm nas mãos o poder econômico defendem a volta à normalidade, ignorando as milhares de vidas perdidas, fortalecendo os formuladores das políticas educacionais e gestores públicos em suas decisões", aponta o documento.


A carta critica a intensificação do controle curricular e da mercantilização da educação, citando propostas como as escolas cívico-militares, a Reforma do Ensino Médio, a chamada Política Nacional de Alfabetização e o projeto Escola Sem Partido, além de criticar a desconstrução e desrespeito aos planos de educação a nível municipal, estadual e federal, "construídos coletivamente para assegurar um financiamento público sólido, com controle social e planejamento".

O manifesto finaliza apresentando oito reivindicações gerais com base do Pacto Educativo Global:

1. Queremos a retomada dos avanços alcançados nas últimas décadas com a concretização dos preceitos estabelecidos na Constituição de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96;

2. Queremos a adequada utilização do orçamento da Educação pelo Governo do Estado em um Programa de Recuperação das perdas educacionais da pandemia e dos prejuízos históricos que têm sofrido a educação formal, a partir da escuta à comunidade escolar;

3. Queremos Educação para todos e todas com políticas de ações para a acessibilidade que contemple as diferenças e as necessidade das pessoas com deficiência;

4. Queremos Educação para todos e todas, que contribua para fortalecer as relações igualitárias nas relações de gênero com reconhecimento, respeito pelas diferenças, melhoria da qualidade de vida e inclusão para todos/as (negros, indígenas, quilombolas, educação do campo, jovens e adultos, educação prisional, LGBTQIA+ e a concretização do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos;

5. Queremos acesso à internet para todas escolas da cidade e do campo, com condições para esses acessos, assegurando o direito ao uso das novas tecnologias de informação;

6. Queremos funcionamento efetivo das redes de atenção e apoio às escolas, com aproximação da escola com as famílias e outras instituições como os movimentos sociais e CRAS;

7. Queremos valorização e respeito ao/à professor/a em sua liberdade de exercer o ofício de educar e condições dignas de trabalho, por meio do piso salarial;

8. Queremos a escola laica com respeito à diversidade religiosa existente no país.

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