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Coletivo acusa secretária da Mulher de Cariacica de ‘transfobia’

Vídeo de Lorena Nascimento sobre Erika Hilton reforça falhas na atuação da pasta, diz o Cores

Redes Sociais/Reprodução

O Coletivo Revolucionário Socialista LGBTI+ Cores Capixaba divulgou uma nota de repúdio contra a secretária da Mulher e dos Direitos Humanos de Cariacica, Lorena Nascimento, apontando transfobia após declarações publicadas nas redes sociais sobre a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A crítica se estende à atuação da pasta em relação às políticas voltadas à população LGBTQIA+ no município, que, segundo o Cores, nos últimos anos, teria resultado em “medidas hostis” e reincidentes.

A reação do coletivo ocorre após um vídeo divulgado por Lorena nas redes sociais na terça-feira (10). Na gravação, ela questiona a mensagem que seria transmitida à sociedade com a escolha de uma mulher trans para comandar o colegiado responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres. Para o movimento, a secretária deslegitimou a identidade da parlamentar ao afirmar que “mulheres não podem ser representadas por homens”.

No vídeo divulgado nessa terça-feira (10), Lorena diz: “E hoje amanhecemos com uma notícia como essa. E a pergunta que fica é: qual a mensagem que querem passar para a sociedade?”. Na sequência, ela comenta que “diariamente, lutamos para ocupar estes espaços. Historicamente, eles foram negados e não foi fácil chegar até aqui. Foram anos de lutas, de enfrentamento e de provar competência todos os dias, no trabalho, na política, na segurança pública, em todos os lugares”.

A secretária afirma que, em sua visão, mulheres são as mais aptas a representar determinadas pautas relacionadas à experiência feminina. “Quando falamos de políticas públicas, estamos falando de quem vive essas vulnerabilidades na pele: a violência doméstica, a desigualdade, os desafios da maternidade e da vida profissional. Quem melhor para defender essas pautas que nós, mulheres, que conhecem essa realidade e enfrentam diariamente esses desafios?”, questiona.

A secretária prossegue a gravação dizendo que não se trata de pedir privilégios. “Não estamos pedindo privilégios. Nós pedimos aquilo que é justo, que diz respeito às nossas próprias pautas”, afirma. “Como mulher, como policial militar e como secretária da Mulher, eu acredito que os espaços conquistados pelas mulheres precisam ser respeitados e preservados”.

As declarações, para o coletivo, reforçam discursos transfóbicos e uma visão restrita sobre quem pode ser reconhecida como mulher, além de ignorar a diversidade das experiências femininas. “A luta das mulheres não pertence somente às mulheres cis. A raiz de toda opressão atinge mulheres cis e mulheres trans, mulheres brancas, negras e indígenas, ricas e pobres”, rebate.

A nota ressalta que o posicionamento de Lorena também reproduz a exclusão histórica enfrentada por pessoas trans em espaços de poder. “O anúncio é histórico e importante, mas foi o suficiente para deixar conservadores nervosos e disseminar ódio nas redes contra a população trans brasileira”.

A crítica do movimento tem relação com a atuação da Prefeitura de Cariacica em relação às políticas voltadas à população LGBTQIA+. Entre os pontos citados, estão a aprovação de leis classificadas como LGBTfóbicas, a desarticulação do primeiro conselho municipal LGBTI+ do Espírito Santo, e o que o grupo descreve como “silêncio institucional” diante de casos de transfobia registrados no município.

O documento cobra que a Secretaria Municipal da Mulher e dos Direitos Humanos deveria desempenhar papel central na defesa da diversidade, mas aponta falha com esse compromisso. “Nenhuma secretaria ou gerência se importa, em especial aquela que mais deveria: a de Mulher e Direitos Humanos”, afirma o texto.

A gestão da pasta também é criticada sobre a destinação de recursos e execução de políticas para a população trans, aponta o movimento, que destaca iniciativas lideradas pela sociedade civil para suprir essas lacunas. “Aparentemente, sem nenhum recurso conseguimos fazer mais pela população trans do município do que a secretaria fez ao longo de 365 dias, com quase R$ 1,5 milhão em caixa”, pontua o Cores Capixaba.

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