Sexta, 17 Mai 2024

Inspetores são vítimas de treinamento violento na Escola Penitenciária

Inspetores são vítimas de treinamento violento na Escola Penitenciária
O vídeo do treinamento de novos inspetores penitenciários, que denunciaram tratamento desumano, continua a repercutir. Os inspetores procuraram o Ministério Público Estadual (MPES) para denunciar o treinamento considerado excessivo em que os servidores foram trancados em uma viatura em que foi jogado gás lacrimogêneo.







Um dos instrutores da Escola Penitenciária (Epen) que aplicou o treinamento é Waldoece Apolori Costa Junior, conhecido como Amarelo (no vídeo, de blusa vermelha), que responde a processo na Justiça por suposta prática de crime de tortura. No vídeo, ele aparece mandando os inspetores em treinamento aguentarem o tempo de dois minutos trancados na viatura e repreende um dos servidores que tenta sair do veículo, por estar vomitando.



O gás utilizado no treinamento não deveria ser aplicado em locais confinados, como foi o caso da viatura. O correto seria utilizá-lo em aberto e ventilado.



Se a denúncia contra os instrutores for levada adiante pelo MPES, este vai ser o segundo processo pela prática contra Amarelo, que também é diretor de unidade prisional.



Na denúncia contra o inspetor, que foi recebida pela 6ª Vara Criminal de Vila Velha em abril deste ano, ele é acusado, junto com Silvano Alvarenga da Silva e Mário José da Paixão de torturar dois presos da Penitenciária Estadual de Vila Velha V (PEVV V), da qual era diretor em outubro de 2014.



De acordo com o inquérito instaurado pela Delegacia de Crimes no Sistema Carcerário e Socioeducativo (DCCS) em outubro de 2014, dois internos da PEVV V foram retirados das celas da unidade e levados para um local conhecido como “barbearia”, onde foram agredidos e algemados a um corrimão, com as mãos para trás, com as algemas apertadas e em pé, por várias horas.



O episódio aconteceu quando um dos internos, que sofre de enfisema pulmonar e faz uso de remédios controlados, pediu, pela manhã, que fossem fornecidos os medicamentos. No entanto, à noite, ele foi retirado da cela e um segundo interno, que disse que ele seria levado para a “barbearia”, também foi retirado e os dois teriam sido levados ao local.



Durante o trajeto os internos declararam que foram agredidos pelos inspetores penitenciários. Um exame de corpo de delito constatou que os internos apresentavam hematomas e lesões condizentes com tortura.



Nas declarações dadas pelos internos, que constam no inquérito policial, eles alegam que foram transferidos do Presídio de Segurança Máxima I (PSMA I), em Viana, e que eram apontados pelos inspetores penitenciários como líderes de uma greve de fome realizada naquela unidade e, por isso, sofriam mais represálias dos inspetores.



No domingo depois das agressões, um dos internos agredidos conseguiu papel e caneta e escreveu um relato sobre a situação da PEVV V, que foi entregue à mãe dele, que encaminhou a carta ao Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep) do MPES, com a denúncia dos internos.

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