Guilherme Thompson, da Aspomires, reivindica “direito igualitário de reajuste”
Policiais e bombeiros do Estado reforçam as mobilizações para pressionar a gestão do governador Renato Casagrande (PSB) a atender suas pautas. Valorização salarial e reestruturação das carreiras militares estão entre as principais reivindicações das categorias.
Nessa quinta-feira (12), os militares se reuniram em frente ao Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, sede do Governo do Estado, para um protesto. Entre os presentes estavam representantes de organizações como a Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires); a Associação de Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra-ES); e a Associação de Bombeiros Militares do Espírito Santo (ABMES).
A manifestação na rua acontece após mobilizações na Assembleia Legislativo. O presidente da Aspra, o sargento da Polícia Militar Jackson Eugênio Silote, também participou da Tribuna Popular da Câmara de Vitória, no último dia 23 de fevereiro, para reforçar o pleito das entidades.

Os militares cobram “diálogo” e “tratamento igualitário” do Governo do Estado. Delegados da Polícia Civil receberam reajuste no final de 2025, com aplicação de mais 15% na tabela de subsídios na ascensão de categoria – o salário passou de R$ 16,8 mil no início de carreira para R$ 33,7 mil ao final, com aumentos progressivos, superando em quase R$ 5 mil o máximo da remuneração na PM, que é pago para o cargo de coronel.
Existem propostas de equiparação apresentadas pelo Governo do Estado, mas as associações de militares criticam o modelo de realinhamento salarial. Segundo elas, a proposta é considerada desigual e restrita aos oficiais superiores, o que, na avaliação das representações, ignora o princípio de isonomia entre as diferentes carreiras das forças de segurança pública.
“Estamos pleiteando o que é direito nosso. Buscamos o direito igualitário de reajuste. Não podemos deixar que a nossa categoria, aqueles que trabalharam por 30, 40 anos, e deram a sua vida, seja esquecida. Nossa luta é para que o governo nos ouça e dê tratamento igualitário para toda a categoria militar”, destacou o presidente da Aspomires, capitão Guilherme Thompson.
Em manifestação de fevereiro, quando os militares foram até a Assembleia, Jackson Eugênio Silote destacou que a insatisfação da tropa não é com investimentos estruturais, mas com a ausência de valorização do efetivo humano. “A segurança pública do Espírito Santo tem apresentado bons resultados, com investimentos em viaturas, armamentos e equipamentos, que são necessários. Mas o mais importante, que é a valorização do ser humano, do homem e da mulher que estão na ponta, não acontece”, pontuou na ocasião.
As entidades reclamam que buscam diálogo com o governo desde 2022 para participar da elaboração de projetos relacionados às pautas dos militares, sem êxito. Apesar da recente intensificação das cobranças, também não houve, até agora, qualquer compromisso da gestão estadual, que este ano tem restrições para concessões de reajustes devido à legislação eleitoral.
Em outubro de 2025, quando foi aprovado o projeto em favor dos delegados da PC, entidades representativas dos militares já haviam publicado notas de repúdio, apontando “insatisfação”, “desrespeito” e “discriminação”.

