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Petroleiros do Estado aprovam suspensão da greve

Trabalhadores da Petrobras e Transpetro retomaram seus postos nesta sexta-feira

Trabalhadores do Sistema Petrobras no Espírito Santo aceitaram a contraproposta da direção da empresa e aprovaram, nesta sexta-feira (26), a suspensão da greve, em assembleias realizadas em Vitória e Linhares (norte do Estado). De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), os funcionários já iniciaram o retorno aos seus postos.

Na mesma data, a suspensão também foi aprovada em assembleias realizadas nas unidades de Minas Gerais, Ceará e de Duque de Caixas, no Rio de Janeiro. Outras nove unidades sindicais da Federação Nacional dos Petroleiros já haviam suspendido a greve nessa terça-feira (23). Entretanto, a paralisação continua no norte fluminense.

Sindipetro-ES

A greve começou no último dia 15. No Espírito Santo, inicialmente, apenas os trabalhadores dos navios-plataforma FPSO Petrobras 57 (P-57) e Petrobras 58 (P-58) haviam paralisado. Mas, posteriormente, a adesão alcançou mais de 200 funcionários de todas as unidades da Petrobras e Transpetro no Estado, de acordo com o Sindipetro.

O movimento dos trabalhadores teve três eixos estratégicos principais. Um deles diz respeito ao fim dos descontos extras dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) para equilibrar o fundo de pensão Petros. Em carta enviada às federações de petroleiros, a Petrobras se comprometeu seguir acompanhando o processo até a sua conclusão na mediação no Tribunal de Contas da União (TCU), e a expectativa é de que esse trabalho avance ao longo do primeiro semestre do próximo ano.

O segundo eixo diz respeito à retomada dos direitos retirados durante os governos dos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) e pela distribuição justa da riqueza gerada pelos trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás. A empresa aumentou as porcentagens em benefícios e ganhos econômicos, incluindo ganho real de 0,5% nos salários retroativo a setembro de 2025 e 0,5% a serem aplicados em setembro de 2026.

O terceiro eixo está vinculado ao reconhecimento da Pauta pelo Brasil Soberano, com suspensão dos desimplantes e das demissões, em defesa do caráter estatal da empresa. A Petrobras e suas subsidiárias se comprometeram a realizar um fórum técnico com duração de dois dias, a cada semestre, abordando temas como transição energética, parque de refino, biocombustíveis, fertilizantes, logística, processamento de gás e empresas do sistema e Cultura Petrobras.

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Leonardo Sá

Também foram incluídos na contraproposta questões específicas de unidades da Petrobras. No caso do Espírito Santo, foi suprimido um parágrafo da minuta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que fazia referência à exigência de retirada de uma ação judicial dos trabalhadores, relacionada a embarques eventuais de funcionários administrativos. Houve, ainda, acordo para não retaliação dos petroleiros pelos dias paralisados.

Em postagem nas redes sociais, o Sindipetro afirmou que demandas históricas seguiram sem resposta por parte da direção da Petrobras. Ainda assim, a greve foi considerada “vencedora”, tendo em vista que “arrancou” uma contraproposta da empresa. Antes da paralisação, houve negociações por 103 dias.

“A maioria da categoria aprovou a aceitação da contraproposta da empresa, resultado de uma avaliação coletiva do cenário, ainda que essa não seja uma decisão unânime. Havia disposição para seguir na luta. A mobilização mostrou força, unidade e capacidade de enfrentamento. No entanto, a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras avaliou que, diante do contexto apresentado, este foi o caminho considerado mais adequado neste momento”, escreveu o sindicato.

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