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Servidores da Serra cobram reajuste e plano de carreira

Movimento lista demandas em carta e pede reunião com Weverson Meireles até o dia 10

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Servidores municipais da Serra ocuparam o plenário da Câmara de Vereadores durante a sessão legislativa dessa segunda-feira (30), para entregar uma carta de reivindicações que escancara o que classificam como “um processo contínuo de desvalorização do funcionalismo”. O documento, direcionado ao prefeito Weverson Meireles (PDT), foi construído pelo Fórum de Servidores com apoio de sindicatos de diversas categorias, e reúne uma série de críticas à política de pessoal adotada nos últimos anos, além de apresentar demandas concretas consideradas urgentes.

O documento solicita abertura de diálogo com o Executivo e pede uma reunião com o prefeito até o próximo dia 10. Os servidores ressaltam que as demandas não são novas e já foram apresentadas em outras ocasiões, sendo tratadas como uma pauta histórica da categoria, porém sem providências da gestão municipal.

Entre os principais pontos de pauta, o movimento exige reposição de parte das perdas salariais, por meio de reajuste de 10%, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2026; equiparação do menor salário base praticado no município (R$ 1,5 mil) ao salário mínimo nacional, ficado em R$1,6 mil; e revogação da Lei nº 4602, de 23 de janeiro de 2017, apelidada de “Pacotão da Maldade de Audifax” – em referência ao ex-prefeito Audifax Barcelos (PP) -, por reduzir ganhos e remover benefícios dos trabalhadores.

A norma estabeleceu medidas de contenção de gastos na Prefeitura da Serra, com prejuízos aos servidores, ao alterar gratificações, quinquênios e adicionais de insalubridade; retirar a folga de aniversário; e impor limites rígidos às despesas com pessoal, o que impactou direitos históricos do funcionalismo municipal.

Os servidores descrevem um “grande retrocesso” em seus direitos, ao analisar que mudanças legais e a ausência de recomposição salarial vêm retirando garantias tanto de quem já está no serviço público quanto de quem pretende ingressar. Apontam que essas medidas afetam diretamente a vida dos trabalhadores e comprometem a estrutura do próprio serviço público municipal. Em um dos trechos, afirmam que esse cenário “precariza o estabelecimento de vínculos” e reduz o interesse pelo trabalho no setor público, dificultando a permanência de profissionais e o engajamento nas políticas públicas.

A carta detalha que, entre 2019 e fevereiro de 2026, a inflação oficial ultrapassa 42%, enquanto os reajustes concedidos pela prefeitura ficaram muito abaixo desse patamar. Os servidores classificam a situação como uma “desvalorização salarial crônica”, com perda real de poder de compra ao longo dos últimos anos.

Como exemplo, a carta menciona que um salário de R$ 3 mil em 2020 deveria ter chegado a quase R$ 4 mil em 2024 para acompanhar a inflação, mas ficou significativamente abaixo disso, em torno de R$ 3,3 mil. O texto enfatiza que “essa defasagem exige reposição imediata” para garantir condições mínimas de dignidade profissional.

Ubirajara Netto

Os trabalhadores também listam uma série de medidas que consideram agravantes da situação, como o aumento da alíquota previdenciária para 14% e alterações no estatuto do servidor. Outro ponto de crítica é a desigualdade entre carreiras. Enquanto os servidores efetivos acumulam perdas, o documento destaca que cargos comissionados receberam aumentos expressivos ao longo dos anos. Também é citado o reajuste de 92% concedido aos vereadores em 2023, apontado como um contraste direto com a realidade enfrentada pela base do funcionalismo.

A ausência de um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) estruturado é outro ponto destacado. Os servidores relembram tentativas de implementação desde 1995, todas sem conclusão efetiva. A mais recente, mencionam, foi conduzida com apoio da Fundação Dom Cabral e previa entrega até o fim de 2024, o que não se concretizou. Para o grupo, isso reforça um sentimento de descrédito e falta de compromisso com a pauta. A categoria defende que o PCCV é essencial para valorizar os profissionais, garantir progressão e estruturar o serviço público de forma mais eficiente.

Os trabalhadores também pedem a garantia de que nenhum servidor receba abaixo do salário mínimo, a definição de uma data-base para revisão anual dos vencimentos, a implementação do PCCV, e a revogação do “Pacotão de Maldades”.

Para sustentar a viabilidade das propostas, a carta aponta que o município está abaixo do limite legal de gastos com pessoal, o que abriria espaço para reajustes sem comprometer o equilíbrio fiscal. O documento ainda cita a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que autoriza revisões salariais e reestruturações de carreira, desde que haja previsão orçamentária.

A mobilização na Câmara marca, segundo os participantes, uma tentativa de ampliar a pressão institucional e dar visibilidade pública ao tema. A expectativa é que o Legislativo atue como intermediador do debate e que o Executivo responda às reivindicações nos próximos dias.

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