Reajuste proposto pelo governo de Renato Casagrande foi rejeitado em assembleia

Os servidores públicos estaduais do Espírito Santo rejeitaram a contraproposta do governo de Renato Casagrande (PSB) para a reestruturação das carreiras do Executivo e aprovaram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (15), um novo indicativo de greve geral. Uma nova assembleia geral unificada para tratar da possível paralisação está marcada para a próxima quarta-feira (21), na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória.
A proposta apresentada pelo governo previa um reajuste salarial linear de 4%, índice considerado insuficiente pelos servidores para enfrentar a defasagem e os problemas estruturais das carreiras do funcionalismo estadual. Com a rejeição, a categoria decidiu retomar o processo de mobilização e intensificar a pressão sobre o Executivo, ampliando a presença dos trabalhadores em atos públicos e em eventos oficiais do governo.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), Iran Milanez, avalia que o indicativo de greve reflete o esgotamento da categoria diante da demora do governo em negociar e da apresentação de uma proposta considerada muito abaixo das reivindicações.
“A assembleia rejeitou a proposta do governo de forma quase unânime e aprovou o indicativo de greve. Caso o governo não apresente uma nova proposta, vamos discutir e deliberar, na próxima assembleia do dia 21, a possibilidade concreta de retorno da greve”, reforçou.
A mobilização já começa antes mesmo da próxima assembleia, destaca, com a realização de um ato público no mesmo dia, no Centro de Vitória. “Decidimos retomar o processo de mobilização, com ato de rua, trazendo servidores da Grande Vitória e também do interior. Além disso, aprovamos a participação organizada da categoria nos eventos oficiais do governo para levar a nossa pauta e cobrar respostas”, relata.
Ele explica que o sindicato optou por não apresentar uma contraproposta formal ao Executivo, justamente por considerar o índice proposto muito rebaixado. “Reiteramos a nossa proposta original, que prevê reajuste mínimo de 35% e correção das diferenças salariais entre os cargos, aplicando uma proporção de 50% do salário do nível superior para os trabalhadores do nível médio e 70% para o nível técnico”, aponta.
Além da questão salarial, o sindicalista observa que a proposta do governo não enfrenta problemas estruturais, como a evasão de servidores, especialmente nas carreiras de nível superior. Segundo ele, muitos trabalhadores aprovados em concursos estaduais acabam deixando o serviço público capixaba em busca de melhores condições em outros estados, o que compromete a qualidade e a continuidade dos serviços prestados à população.
As críticas também foram formalizadas em ofício encaminhado ao governador Renato Casagrande e à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) nesta quinta-feira (15). No documento, o Sindipúblicos afirma que o governo não apresentou justificativas técnicas, orçamentárias ou financeiras, como estudos de impacto, para embasar o reajuste de 4%.
A entidade também manifesta preocupação com a exclusão dos Agentes de Suporte Educacional da Secretaria de Educação (Sedu) do processo de reestruturação das carreiras. A categoria, segundo o ofício, enfrenta jornadas exaustivas no ambiente escolar, teve atuação fundamental durante a pandemia da Covid-19 e é parcialmente custeada por recursos federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o que reduz o impacto financeiro para o Estado. Ainda assim, os agentes recebem atualmente um subsídio equivalente a cerca de 30% do nível superior.
Outro ponto levantado é a reivindicação pela inclusão da carreira de Técnico de Suporte em Desenvolvimento Rural, extinta pela Lei Estadual nº 1.066/2023 e deixada de fora da reestruturação aprovada em 2024, apesar do índice de vacância estimado em 10%.
Apesar da rejeição quase unânime da proposta, o Sindipúblicos reafirma que a categoria permanece aberta ao diálogo. No ofício, a entidade informa que aguarda um posicionamento do governo até o dia 20 de janeiro, véspera da assembleia unificada, considerando também os prazos operacionais para implantação de qualquer medida em razão do calendário eleitoral de 2026.
Com a aprovação do indicativo de greve e a intensificação das mobilizações, os servidores deixam claro que o retorno da paralisação é uma possibilidade concreta caso o governo mantenha uma postura considerada insensível às reivindicações da categoria e à valorização do serviço público estadual.

