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Sindicato dos servidores vai registrar BO contra secretário de Colatina

Vídeo mostra Carlos Balbino retirando materiais de protesto que fez críticas à prefeitura

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina (SISPMC), município do noroeste do Estado, vai registrar Boletim de Ocorrência (BO) e cobrar apuração da prefeitura em relação à conduta do secretário de Trânsito, Transporte e Segurança Pública, major Carlos Balbino, em intervir em ato público realizado na estação central de ônibus da cidade, com críticas à gestão de Renzo Vasconcelos (PSD).

A ação ocorreu no fim da tarde dessa terça-feira (1º), e foi registrada em vídeo. As imagens mostram o momento em que o secretário chega ao local acompanhado de agentes da Guarda Municipal e, sem justificativas, retira cartazes e recolhe materiais, além de um boneco utilizado como protesto.
A entidade considera que o caso se enquadra em “intimidação”, “abuso de autoridade”, “apreensão indevida”, “constrangimento ilegal” e “violação à liberdade de manifestação durante atividade sindical”.

“As diretoras decidiram fazer um Boletim de Ocorrência e vamos exigir a responsabilização”, afirma o diretor jurídico da entidade, Décio Rezende. Ele informa que outras medidas ainda são avaliadas pelo departamento jurídico e devem ser discutidas internamente nos próximos dias.

Reprodução

A atividade ocorria em alusão ao 1º de abril, conhecido como Dia da Mentira, e consistia na distribuição de panfletos com cobranças ao prefeito. O material abordava, segundo o sindicato, a retirada de direitos e a desvalorização dos servidores públicos municipais, e cobrava a reabertura da mesa de negociação sobre uma pauta ampla de reivindicações, incluindo reajuste salarial, revisão de benefícios como auxílio-alimentação, além de melhorias nas condições de trabalho, como fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs).

Em fala registrada durante o ato, a presidente do sindicato, Eliane de Fátima Inácio, criticou a postura do secretário. “É vergonhoso um secretário não saber dialogar, chegar com truculência retirando as coisas dos trabalhadores. Nós repudiamos essa atitude”, ressaltou. Ela também criticou que a ação atingiu diretamente o direito de manifestação da categoria.

Em outro momento, Eliane reforçou que a entidade não pretende recuar. “Nós somos mulheres aguerridas, de luta, não temos medo. Já enfrentamos coisas piores em outros governos. Estamos acostumadas a lutar, não vai ser a administração que vai nos intimidar”.

Prefeito Renzo Vasconcelos, ao lado do secretário major Balbino. Foto: Redes sociais

A entidade sustenta que a atividade realizada na estação estava dentro dos limites legais e, em nota divulgada após o fato, afirmou que “assim como qualquer sindicato, movimento social ou pessoa, tem direito à livre manifestação e preza pelo diálogo e o debate”.

O caso ocorre em um contexto de tensionamento entre o sindicato e a gestão municipal. Décio aponta que os servidores elencaram cerca de 30 pontos de reivindicações, entre demandas administrativas, sociais e econômicas, e que a gestão municipal havia iniciado o diálogo com a categoria no começo do mandato, há mais de um ano, mas realizou apenas duas reuniões e interrompeu as negociações.

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